
(estrofe 1) Em salas frias de papel selado, traçaram medidas sobre a cor, como se o sopro do Criador pudesse caber num quadro numerado. (estrofe 2) Ali a pele virou argumento, registrada em linhas de inspeção, e o nome de Deus foi lento em ouvir tamanha divisão. (estrofe 3) Alguns sentaram-se à mesa austera com vestes de zelo e devoção, avaliando quem coubera no molde estreito da aprovação. (estrofe 4) Mas o sangue humano, em sua essência, não aprende fronteira racial, pois pulsa a mesma cadência no corpo do mundo total. (refrão) Não há cor que limite a vida, nem raça que pese mais valor, pois cada face refletida carrega a imagem do Criador. (estrofe 5) Nos relatórios de tinta severa nasciam hierarquias de tom, como se a dignidade sincera pudesse nascer desigual em dom. (estrofe 6) E a fé, chamada a ser ponte viva, às vezes tornou-se muralha erguida, quando a mão que deveria ser ativa ficou neutra diante da ferida. (estrofe 7) Assim, decisões de mesa fria marcaram destinos e chão, enquanto o Evangelho pedia abraço em vez de separação. (refrão) Não há cor que limite a vida, nem raça que pese mais valor, pois cada face refletida carrega a imagem do Criador. (estrofe 8) Mas houve um Mestre que atravessava caminhos de povo e nação, e em cada rosto enxergava um irmão além da divisão. (estrofe 9) Tocou o excluído da margem, sentou-se à mesa plural, mostrando que o amor não faz triagem no tribunal racial. (estrofe 10) Se a fé quiser lembrar sua origem, que abandone a balança da cor, pois a justiça que em Deus se dirige nasce inteira no mesmo amor. (refrão) Não há cor que limite a vida, nem raça que pese mais valor, pois cada face refletida carrega a imagem do Criador.

