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Fukushima

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V5.5

[Intro: industrial ambience, distant sirens, radio static] Eminência parda... Por trás da cortina, por dentro da carne, há sempre um fantasma pedindo disfarce. Fukushima... Fukushima... [Verse 1: low male vocal, dark groove] Chega feito hóspede, instala a doutrina, contamina o quarto, sequestra a rotina. Não banca o desejo, não diz a verdade, faz do corpo alheio sua clandestinidade. De dia é profeta, censor e vigário, de noite consulta seu vocabulário. Condena no outro o que nele fermenta, quanto mais acusa, mais se apresenta. Tem fala de santo, pupila de réu, perfume de culpa, gravata e chapéu. Transforma o recalque em filosofia, governa teu corpo por telepatia. [Pre-Chorus: rising tension] Toda sentença que ele proclama treme de medo diante da cama. Toda pureza que diz defender é só uma máscara querendo ceder. [Chorus A: explosive drums, distorted synths] Fukushima, Fukushima, você me oferece cu, eu quero buceta. Não me entenda mal, não que eu não queira, é que um desejo clandestino usa teu corpo de trincheira. Fukushima, Fukushima, você me oferece cu, eu quero buceta. Não me entenda mal, não que eu não queira, é que um desejo clandestino usa teu corpo de trincheira. [Post-Chorus: chopped vocals, heavy echo] Eminência parda, escondida na fumaça. Controla a fantasia, mas nunca mostra a cara. [Verse 2: faster rhythm, sarcastic delivery] Ele dita o roteiro, escolhe a posição, faz da tua vontade uma procuração. É desejo de homem buscando outro homem, mas falta coragem pra dizer o nome. Então te atravessa, te faz passarela, usa a tua pele como uma janela. Não é o desejo que causa estranheza, é transformar outra pessoa em defesa. Aponta, acusa, vigia a calçada, mas sua obsessão já deixou a pegada. Quem vive caçando desejo alheio talvez reconheça o próprio receio. É Freud no porão, Narciso na sala, um falso arcanjo mordendo a própria fala. É tanta censura, sermão e etiqueta, que o armário cresceu e engoliu o planeta. [Pre-Chorus: drums drop out, spoken vocal] Quem sopra as palavras por trás da parede? Quem move teu corpo, quem muda tua sede? Quem veste tua pele e assina a caneta? Quem chama de escolha o início da treta? [Chorus B: punchy beat, gang vocals] Fukushima, Fukushima, você me oferece cu, eu quero buceta. Tem um desejo escondido, disfarçado de profeta, que te usa como máscara e te move, marioneta. Vamos logo pra sarrafada pra terminar essa treta. Fukushima, Fukushima, você me oferece cu, eu quero buceta. Tem um desejo escondido, disfarçado de profeta, que te usa como máscara e te move, marioneta. Vamos logo pra sarrafada pra terminar essa treta. [Bridge: cinematic build, metallic percussion] Há césio na taça, urânio na fala, um brilho azulado percorrendo a sala. Há chumbo no beijo, veneno na veia, um homem sem rosto puxando a correia. Não foi terremoto, nem falha completa: foi desejo oculto buscando uma fresta. [Breakdown: spoken word, minimal bass] Eminência parda... Quem manda no corpo sem mostrar o rosto? Eminência parda... Quem julga no outro o desejo encoberto? Eminência parda... Tua moral é barricada. Eminência parda... Mas toda cortina termina rasgada. [Final Chorus: maximum intensity, layered vocals] Fukushima, Fukushima, você me oferece cu, eu quero buceta. Tem um desejo escondido, disfarçado de profeta, que te usa como máscara e te move, marioneta. Vamos logo pra sarrafada pra terminar essa treta. Fukushima, Fukushima, você me oferece cu, eu quero buceta. Não me entenda mal, não que eu não queira, é que um desejo clandestino usa teu corpo de trincheira. [Outro: radio static, sirens fading] Eminência parda... Não mostra a cara. Eminência parda... Mas nunca se cala. Fukushima... Fukushima...