
[Verse 1] Saio à noite, já sem GPS A roupa aperta, a moral até desce Tenho mais de quarenta, olha que luxo Mas o joelho faz greve ao primeiro embalo brusco Os amigos dizem: “Hoje é só um copo” Eu digo “Claro”, e já vou no segundo, tropo a tropo Filhos pequenos? Ficam em casa a dormir Eu saio a ver a vida e ela sai-me a cobrar em “rir” [Pre-Chorus] Quem tudo quer, tudo perde Eu queria dançar, ganhei sede De grão em grão, enche o aperto E a conta aparece no dia certo [Chorus] Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Bebi a coragem toda E a lombar ficou crava Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Fui à noite de mansinho Voltei de manhã de maca [Verse 2] “Casa onde não há pão” — há gin tónico Mas no dia seguinte fico todo cómico A ressaca vem de pantufas E eu, sem culpa, a comer sopas com as culpas Digo “quem espera, desespera” Mas a espera era só pela farmácia na esquina aberta Bebi “por uma unha negra” E acabei com a cara em modo “obra de calçada inteira” As amigas dizem: “Vai com calma” Eu vou, mas a calma não me entra na alma “Cada macaco no seu galho” E eu a subir ao balcão, que isto é sempre um atalho [Pre-Chorus] Mais vale prevenir Do que depois remediar Mas quando o pé pede samba A cabeça quer-se deitar [Chorus] Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Bebi a coragem toda E a lombar ficou crava Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Fui à noite de mansinho Voltei de manhã de maca [Bridge] Quem tem boca vai a Roma Quem tem copo vai à lona “Água mole em pedra dura” A mim dá-me pedra na cintura Eu já não sou de vinte e tal Sou de “boa noite” e “ai, que mal” Mas se a vida me provoca Eu danço com a perna torta e a ironia na boca [Final Chorus] Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Bebi a coragem toda E a lombar ficou crava Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Saio para rir da noite E a noite ri-se da minha cara Ai, o corpo é que paga Paga, paga, paga Quem semeia assim tão tarde Colhe gelo nas canelas, vá lá, vá lá

