
(estrofe 1) Quase invisível, viaja no ar, Sem peso de glória, sem querer aparecer; O vento o conduz para longe do lugar, Levando no voo a promessa de florescer. (estrofe 2) De uma flor distante alcança outra flor, Sem mapas, caminhos, nem direção; Pequeno mensageiro, carregado de amor, Cumpre em silêncio sua grande missão. (estrofe 3) Não sabe o destino que o vento lhe traça, Nem pode escolher onde irá repousar; Mas segue ligeiro, seguindo a fumaça Do sopro invisível que o faz viajar. (estrofe 4) E quando encontra o lugar adequado, Começa um processo que a vista não vê; O pequeno pó dourado, tão delicado, Ajuda a natureza novamente a nascer. (refrão) Ó pólen levado nas asas do vento, Tão frágil por fora, tão forte em missão, Ensina que a vida se espalha no tempo Por gestos pequenos de transformação. (estrofe 5) Há coisas que passam sem serem notadas, Mas deixam no mundo profunda impressão; Tal como sementes por brisas levadas, Que encontram futuros no solo em germinação. (estrofe 6) Uma árvore inteira pode começar De algo que parecia pequeno demais; Assim, uma vida consegue mudar Quando um simples gesto produz novos sinais. (estrofe 7) As abelhas também seguem seu caminho, Entre flores diversas, em busca do mel; E o pólen circula, discreto e mansinho, Unindo a paisagem, a terra e o céu. (refrão) Ó pólen levado nas asas do vento, Tão frágil por fora, tão forte em missão, Ensina que a vida se espalha no tempo Por gestos pequenos de transformação. (estrofe 8) Nem sempre é preciso fazer muito ruído Para contribuir com a vida ao redor; O gesto mais simples, quando repartido, Pode tornar o futuro muito melhor. (estrofe 9) O vento não guarda aquilo que carrega, Entrega à distância o que recebeu; E a natureza, em sua lei tão serena, Multiplica a vida que o acaso moveu. (estrofe 10) Ao contemplar flores no campo aberto, Pensei no que passa sem chamar atenção; Há forças discretas mantendo o universo Em permanente dança de renovação. (refrão) Ó pólen levado nas asas do vento, Tão frágil por fora, tão forte em missão, Ensina que a vida se espalha no tempo Por gestos pequenos de transformação.

