
(estrofe 1) Nas colinas da Galileia ecoava uma antiga voz, leis guardadas nos rolos que chegaram até nós; mas um mestre caminhava entre o povo e o vento, abrindo novas janelas no mesmo ensinamento. (estrofe 2) As palavras antigas soavam como pedra talhada, fortes como muralha de cidade cercada; mas o olhar do Nazareno via além do rigor, como quem encontra no inverno sementes de flor. (estrofe 3) Assim surgia uma frase que mudava o caminho, como sol atravessando o nevoeiro sozinho; “Foi dito aos antigos”, dizia ao povo atento, antes de abrir outra porta no mesmo mandamento. (estrofe 4) “Eu, porém, vos digo”, soava como alvorada, sobre tradições antigas por séculos guardadas; não quebrava a verdade que o tempo trazia, mas revelava a luz que nela ainda dormia. (refrão) A letra pode endurecer quando esquece o amor, mas a voz do Cristo revela sentido maior; onde a lei parecia muralha a separar, sua palavra abre pontes para reconciliar. (estrofe 5) Era como jardineiro podando antigos ramos, para que novas flores crescessem nos campos; não negava a raiz da árvore antiga, mas limpava as sombras que o tempo abriga. (estrofe 6) Nos olhos da multidão surgia nova visão, não apenas justiça moldada na punição; pois o Reino anunciado nas trilhas do chão respirava perdão dentro do coração. (estrofe 7) Assim a tradição ganhava novo clarão, como rio que encontra mais larga extensão; a lei deixava de ser apenas regra exterior, para tornar-se caminho profundo de amor. (refrão) A letra pode endurecer quando esquece o amor, mas a voz do Cristo revela sentido maior; onde a lei parecia muralha a separar, sua palavra abre pontes para reconciliar. (estrofe 8) O ouvido antigo buscava justiça imediata, olho por olho na balança exata; mas o Mestre apontava para outro horizonte, onde o perdão nasce livre além da fronte. (estrofe 9) Ali a verdade não era peso que oprime, mas lâmpada suave que a vida redime; como vento que sopra no trigo dourado, trazia sentido novo ao passado. (estrofe 10) E assim na montanha da antiga oração brotou outra leitura da revelação; pois quem escuta o Cristo aprende a ver que a lei mais profunda é amar e viver. (refrão) A letra pode endurecer quando esquece o amor, mas a voz do Cristo revela sentido maior; onde a lei parecia muralha a separar, sua palavra abre pontes para reconciliar.

