
Esquina do Tempo
Trafego pelas ruas Apenas um transeunte que não se sabe. Suporto os momentos, e carrego nas costas o fardo do tempo. Não me encantam as luzes da cidade, nem as nuvens, nem o sol. Apenas uma imagem me inquieta. Apenas uma obsessão me consome. Teus olhos. Tua gargalhada sonora. Tudo se perdeu numa esquina do tempo, e pouco a pouco se dissolve nas tramas da memória Não escuto ecos, não vislumbro brilho algum Como, bebo, tomo banho, durmo quando posso. Nada em mim subsiste. Apenas a memória debruça-se sobre si mesma No afã de reconstruir o instante ido. Tudo se perdeu. O fio do novelo está rompido. Me recordo apenas da tua imagem difusa na rampa do edifício E eu me movendo em sentido inverso. O abismo tão grande. Senti naquela fração de segundo a dor de todos os séculos, a saudade ancestral De outra partida num passado longínquo. Até que chegou o momento em que não foi mais possível conter-te no meu campo de visão. Foi nesse lapso de tempo, que percebi claramente que não suportaria tudo isso novamente então não hesitei em realizar a imponderável travessia Minha alma toda evolou-se em tua direção. Não, eu não pude aceitar a hipótese de te perder Por isso tomei a decisão irreversível de perder a mim mesma, Só para poder ir morar contigo. Deusa Letra: ©DêBarak

