
O que dói é que não desejo dizer-te mais nada. E essa súbita morte da expressão É o facho de luz que indica a saída do abismo Inutilmente busquei em ti a força que agita a onda O lençol de água profundo para onde a Raiz se estende na ânsia de nutrição. Mas o que me deste? senão a fria reverência no altar Da sua idealizada abstração Mas o que me deste, senão o medo da vida? Exauriu-me nesta silenciosa espera Por uma palavra, um afago, um beijo Por um gesto que não fosse contido Por um encontro sem exigência prévia de autorização Por verdade, pele, corpo, olhar Por um abraço demorado depois do amor Mas corres, estás sempre a correr a virar-me as costas antes mesmo que eu me refaça do gosto da tua presença me tens toda e todo se desfaz de mim a cada instante de longa indiferença Cansa-me o teu amor sem gosto Entedia-me tua inércia e patético senso de autopreservação Corrói-me, corrói-me, tua frieza tua evidente falta de paixão Ah, que tuas negligências se tornem todas água turva onde eu afogue meu ardor Mas corres, estás sempre a correr A virar-me as costas antes mesmo que Eu me refaça do gosto da tua presença Me tens toda e todo se desfaz de mim A cada instante de longa indiferença Ah, que tuas negligências Se tornem todas água turva onde eu afogue meu ardor Entendi que és anfíbio e eu beija-flor Duas espécies inconciliáveis Que eu te esqueça! Que eu te esqueça! Que eu te esqueça!

