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[Intro โ€“ spoken word + violino suave] Silรชncioโ€ฆ por enquanto nรฃo me matou. Me ensinou a escutar. [Vynil scratching] [Verse 1] Nรฃo tenho nada pra comemorar Pra quรช visibilidade Se o resto do ano รฉ chorarย  Na cidade da normalidade LGBTQIA mais ... racismo... ร‰ tanta letra e tanto desrespeitoย  A lei tรก aรญ desde oitenta e nove Mas alguรฉm aqui conhece E o tal do disque cem? hein? O que vale um sรณ dia Se eu nรฃo posso ser Plena, inteira, sadia O ano todo sem me esconder ร‰ muita fobia no dia a dia Nรฃo รฉ debate, รฉ vivรชncia Microagressรฃo vira rotina Piada disfarรงada de inocรชncia E a vizinhanรงa entรฃoย  Risadinhas, conversinhas De propรณsito pra gente perceber Exclusรฃo, agressรฃo fรญsica E ainda perguntam: โ€œo que foi com vocรช?โ€ [Chorus โ€“ scratch] Nรฃo tenho nada pra comemorar Enquanto amar for puniรงรฃo Mas se tentam me calar Eu transformo a dor em canรงรฃo Mas agora a histรณria muda o tom Quando a ferida vira som Mas agora a histรณria muda o tom Quando a ferida vira som [Verse 2] Discriminaรงรฃo, preconceito Pronomes que nรฃo combinamย  Chacota e ataque verbal Lojas e bares em todo lugar Atรฉ o Uber vira tribunal De todo lado sรณ desrespeito Eu sinto no jeito de olhar Nรฃo passo em todas as ruas Algumas nรฃo me deixam passar Outras tรชm donos [Mรบsica incidental - cantiga popular] "Ah, se essa rua se essa rua fosse minhaโ€ฆ eu mandava eu mandava... pra aquele lugar!" Entรฃo... tem tambรฉmย  Os garรญ o pessoal da limpeza Segunda quarta e sexta Gozaรงรฃo com cara de "alegria" (pra quem?) Levam lixo e deixam tristeza E as ameaรงas na caixa postal Tentaram atรฉ me envenenar No passรชio daquela barbearia Eu nรฃo posso mais passar Nem na pracinha caminhar [Chorus] Nรฃo tenho nada pra comemorar Enquanto amar for puniรงรฃo Mas se tentam me calar Eu transformo a dor em canรงรฃo Mas agora a histรณria muda o tom Quando a ferida vira som Mas agora a histรณria muda o tom Quando a ferida vira som [Verse 3] Cochichos, risos, gargalhadas Apontam o dedo como arminha Tem a gangue dos cabiludim Desligam o relรณgio tocam o terrorย  Mais uma sรญndrome do pรขnicรด No condรดm, no hall, na portaria Fingem nรฃo ver, mas vejam sรณย  ร‰ sempre aquele mesmo vigia Ah, e tem as moรงas da padaria Tambรฉm as vรฉia da academia Adeus saรบde mental Fica depressรฃo e dor Corpo, espรญrito, cicatriz Inteiro รฉ quem ousa ser Aquilo que sempre quis ร‰ triste, e รฉ todo dia Vem de todo lado ร‰ todo tipo de fobia Mas nรฃo tenha dรณ de mim, nรฃo Porque nรฃo tem um sรณ de mim Nรฃoย confunda dor com fraqueza Sobreviver รฉ coragem Existir jรก tรก beleza. [Vynil scratching] Nรฃo tenho nada pra comemorar Enquanto amar forย puniรงรฃo Mas se tentam me calar Eu transformo a dor em canรงรฃo Mas agora a histรณria muda o tom Quando a ferida vira som Mas agora a histรณria muda o tom Quando a ferida vira som [Vynil scratching] [End]