TÍTULO: “deixa o fogo dormir” [gênero: trap-samba de umbigada, 92 bpm, base de pandeiro eletrônico e violão detunado] [intro falado – sussurro no fone] “liga o fone, desliga o mundo, que hoje a gente desce sem usar elevador…” [verso 1] eu tô noiado no zoom da tua iris cada pixel teu ainda mexe meu joelho a noite é um HD externo plugado no peito e o vento carrega o cheiro do teu cabelo em modo offlineminha boca é um delivery aberto 24h só serve saudade quente, mas você tá de dieta eu guardo teu nome dentro de um .zip quando descompacta, é 3 da manhã e o teto gira [pré-refrão – meia voz, quase rima] eu sei… que copo cheio não apaga foto e que foto não dá réplica de abraço mas se a dor é app, eu quero é bug quero crash, quero tela azul de você [refrão – subindo, mas sem gritar] deixa o fogo dormir de conchinha com a cinza deixa o fogo dormir, que amanhã ele acorda e ainda te esquenta se é pra queimar sozinho, que seja de madrugada pra quando o sol bater no vitrô já ter virado estrela caída no asfalto [verso 2] você postou um story numa praia que eu não conheço a areia parece Photoshop, seu sorriso tá em 4K meu coração é Android veio, trava quando você aparece e ainda aparece notificação: “lembrete: vocês riam disso”eu tentei te bloquear, mas o universo é criativo: você vira estampa de camiseta no camelô do metrô vira gosto de bolo na boca da minha sobrinha até o cachorro late no compasso da tua riso gravada [ponte – só voz + eco, batida corta] eu falei pro espelho: “ela não volta” o espelho riu, mostrou minha cara de quem ainda escreve carta eu ri de volta, mas o riso escorreu e no chão formou teu nome inteiro – em cursivo [refrão final – agora com coro, mas quebrado] deixa o fogo dormir de conchinha com a cinza deixa o fogo dormir, que amanhã ele acorda e ainda te esquenta se é pra queimar sozinho, que seja de madrugada pra quando o sol bater no vitrô já ter virado estrela caída no asfalto [outro – voz voltando ao sussurro, metade do beat] e se um dia a gente se encontrar na esquina do tempo não precisa acender outro cigarro só devolve o isqueiro que o fogo, quando dorme, sonha em renascer e eu já aprendi: cinza guarda brasa e brasa é só luz esperando versão final.