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A POBREZA COMO VIRTUDE SISTÊMICA 1

Estrofe 1 Pregaram que a escassez era virtude, Que a miséria era sinal de eleição, Enquanto os ricos erguem sua amplitude Com bênçãos compradas em oração. ... Estrofe 2 Fizeram do sofrer um nobre hino, E ao pobre impuseram a resignação. Mas o Cristo que tocava o peregrino Jamais exaltou a humilhação. ... Estrofe 3 Diziam: “É plano divino o fardo,” Para que o povo não clamasse pão. Mas onde está no evangelho sagrado Essa teologia da submissão? ... REFRÃO Ó Deus que age por entre as ruínas, Na sombra dos templos e palácios, Foste sopro em minhas oficinas, Soprando vida nos teus espaços. ... Estrofe 4 Não creio que o desamparo seja santo, Nem que o jugo da fome seja altar. Pois se o Reino é justiça em cada canto, Então pobreza não é lugar. ... Estrofe 5 Aprendi que cruz não é grilhão, E que carregar não é calar. O silêncio imposto à multidão É pecado que o poder quer sustentar. ... Estrofe 6 Fingem que Deus quer o pobre quieto, Conformado com migalhas no chão. Mas a mesa do Reino é projeto reto, Onde partilha é a consagração. ... REFRÃO Ó Deus que age por entre as ruínas, Na sombra dos templos e palácios, Foste sopro em minhas oficinas, Soprando vida nos teus espaços. ... Estrofe 7 Não aceito a bênção seletiva, Nem a glória vendida em culto caro. Pois quem diz “amém” à dor passiva Distorce a cruz e venera o avaro. ... Estrofe 8 Prefiro o Cristo de sandálias gastas, Que sentava onde ninguém queria ir. Foi Ele que rasgou as castas E fez do pobre um porvir. ... PONTE Agradeço aos mestres e caminhos Que me mostraram o engano e a prisão. Hoje desfaço os véus mesquinhos Com a força da encarnação. ... REFRÃO Ó Deus que age por entre as ruínas, Na sombra dos templos e palácios, Foste sopro em minhas oficinas, Soprando vida nos teus espaços. ... REFRÃO FINAL Rejubilo por saber do teu amor, Tão livre, tão vasto, tão sem preço. Nem a pobreza é favor, nem o favor É mercadoria no teu endereço.