[Intro] [glissandos de baixo fretless, fill de bateria sincopado] [arpégios de guitarra elétrica limpa, acordes de piano] Um fiozinho branco borda a noite em silêncio Não é foguete nem alarme, é só um traço de vento A gente ergue o olhar, entre a razão e o sentir Como se o céu abrisse a porta, chamando a vir Seguimos seu passo sobre as ruas que adormecem Antenas, laboratórios mudos, telas que enfraquecem Se os números juram que a galáxia quer cantar Por que só ouvimos nosso próprio ar se contar? [Refrão] É só um tempo de distância, um sopro estático no ar? Ou um silêncio de escolha, gravado em todo lugar? Ele curva às nossas quedas, tão calmo e lento Como se soubesse de cor o mapa do firmamento Nem coroa, nem conquista, nem grande show Só um recado que se nega a ser troféu, painel ou glow Guarda o que te cura, larga o que te fere, aprende com cuidado Um livrinho de escolhas, com a prudência de escudo ao lado Nenhuma bandeira na onda, nenhum hino, nenhum clarão Nenhum sermão no sinal, nem explosão sem direção Só uma lucidez que insiste, grave e clara Como uma voz que sussurra: não foge, fica e repara [Verso 2] Escondido no espectro, ele escapa entre linhas finas Não é filme velho de ficção nas nossas telas meninas É mais o amanhã inteiro espremido num raio só Uma lição pra ser vivida, não só cantada em tom de dó Noite após noite, sê terno com tua força ardente Sê avaro com tuas chamas, oferece um cais à gente Se formos os primeiros, sejamos humanos, jamais cruéis Se não formos, sejamos cautos, cada olá tem seus anéis [Instrumental] (ooh-ooh-ooh) [Verso 3] Talvez o pior já passou, se desfez, voltou pro mar Faísca frágil que afundou sem ninguém notar Ou talvez o peso maior ainda venha pela frente O instante em que se pode quebrar o mundo com a própria mente Então a pergunta não é só: quem respira lá no alto, no véu? Mas: quem seremos nós quando ouvirmos seu eco no céu? [Refrão] Contido, velado, o sétimo código sob a pele [Verso 1] [voz masculina melódica] As estrelas eram o compasso De um coração batendo, exposto, no laço A fenda se abriu inteira, sem muralha, sem abrigo E o muro que a gente ergueu, tijolo a tijolo antigo Desaba em pó aos pés da nossa vida, em perigo [Refrão] [harmonias vocais, bateria mais pulsante] Não teremos mais vergonha de ser livres aqui Não sentiremos mais a dor, só vamos ser, enfim, sem ruir Guardamos o segredo, mas perdemos a chave pra abrir Não lembramos mais as regras, só sabemos que é preciso, até o fim, existir [Ponte] [passagem em 7/8] [solo de piano técnico em semicolcheias rápidas] [baixo fretless em contracanto melódico] [solo de guitarra elétrica em legato fluido, vibrato largo] [intensidade da bateria crescente, ghost notes de caixa e crashes de pratos] [Outro] [volta ao 4/4] [voz em reprise, forte reverberação] As estrelas eram o compasso De um coração batendo, exposto, sem espaço A fenda está escancarada, sem abrigo, sem amparo E o muro que a gente ergueu, medo após medo, dia após claro Cai em poeira no chão, some devagar no escuro raro [último acorde de piano soando no ar]