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ESPONJA DE MISTÉRIOS 1

Estrofe 1 Na infância, sem querer, fui receptáculo De mitos, parábolas e cantos santos. Absorvia, sem saber, o oráculo Que os séculos vertiam em acalantos. Estrofe 2 Brincava entre as figuras do Antigo, Sem notar que a arca era meu abrigo. E os olhos se molhavam sem perigo Diante de um Jesus tão meu amigo. Estrofe 3 Fui vaso onde os salmos, gota a gota, Caíam como orvalho sobre a alma. Não entendi a dor nem a derrota, Mas já sentia em Deus alguma calma. REFRÃO Te bendigo, Senhor das profundezas, Que falas por sinais tão escondidos. Te agradeço por Tuas sutilezas, Por seres claro até nos não ouvidos. Estrofe 4 A alma infante é poço de silêncio Onde o mistério jorra sem medida. Absorve em paz o que vem do imenso, E tudo vira fé já convertida. Estrofe 5 Enquanto os adultos argumentavam, Os olhos meus fitavam o presépio. E em cada gesto puro que me davam, Deus me dizia: “Sou teu sempre e etéreo.” Estrofe 6 Em cada pão partido na cozinha, Havia sombra e luz da Ceia Santa. E a voz da avó — tão doce e pequenina — Era evangelho puro que me encanta. REFRÃO Te bendigo, Senhor das profundezas, Que falas por sinais tão escondidos. Te agradeço por Tuas sutilezas, Por seres claro até nos não ouvidos. Estrofe 7 Absorvi do mundo o que era eterno, Sem teologias ou longos discursos. Na alma, os símbolos, como um inverno Que esconde flores sob frios cursos. Estrofe 8 Hoje, ao ver meu peito transbordando De amor e luz que outrora não via, Percebo que fui tempo ensopando A eternidade em forma de poesia. PONTE Gratidão por cada canto, cada história, Por cada gesto simples que ensinou, Pois tudo o que passou virou memória De um Deus que me moldou, me desenhou. REFRÃO Te bendigo, Senhor das profundezas, Que falas por sinais tão escondidos. Te agradeço por Tuas sutilezas, Por seres claro até nos não ouvidos. REFRÃO FINAL E rejubilo em saber que és só amor, Amor que excede a mente e o coração. Mesmo sem ver, respiro o teu calor, E nele repousa toda a criação.