
(estrofe 1) Não sou o erro que um dia cometi, nem o rótulo imposto pelo medo, há um bem silencioso em mim que sobrevive ao peso do degredo. (estrofe 2) Reconhecer meu valor não me ergue acima de ninguém que respira, apenas impede que eu negue a dignidade que em mim habita. (estrofe 3) Humildade não é me diminuir, nem calar o que é dom recebido, é saber quem sou ao existir sem precisar ser mais que o outro vivido. (refrão) Há virtude em mim, não por vaidade, mas por graça e formação, reconhecer-me digno é verdade, não soberba do coração. (estrofe 4) Quando me vejo só pela falha, minha alegria aprende a murchar, mas ao lembrar da chama que trabalha, posso novamente me levantar. (estrofe 5) Não é orgulho afirmar que sou capaz, é responsabilidade diante da vida, quem se reconhece inteiro e em paz não precisa ferir na subida. (estrofe 6) Meu valor não nasce da comparação, nem da disputa por reconhecimento, brota do simples fato da criação e do bem que insiste no pensamento. (refrão) Há virtude em mim, não por vaidade, mas por graça e formação, reconhecer-me digno é verdade, não soberba do coração. (estrofe 7) Quem se odeia espalha dureza, quem se acolhe aprende a cuidar, a alegria começa na gentileza de comigo mesmo dialogar. (estrofe 8) Assim sigo inteiro, sem me inflar, nem rastejar por falsa humildade, pois me amar é também respeitar a virtude que em mim habita. (ponte) Lamento os dias em que me neguei, quando confundi culpa com verdade, e, por não querer ser alegre, também escondi minha dignidade. (refrão) Há virtude em mim, não por vaidade, mas por graça e formação, reconhecer-me digno é verdade, não soberba do coração. (refrão final) Hoje eu me amo com lucidez, escolho alegria sem ilusão, sei que a tristeza virá outra vez, mas não me rouba a digna canção.

