
Consolo amargo Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Mortos e mortos, tudo vai passando, Tudo pelos abismos se sumindo... Enquanto sobre a Terra ficam rindo Uns, e já outros, pálidos, chorando... Todos vão trêmulos finalizando, Para os gelados túmulos partindo, Descendo ao tremendal eterno, infindo, Mortos e mortos, num sinistro bando. Tudo passa espectral e doloroso, Pulverulentamente nebuloso Como num sonho, num fatal letargo... Mas, de quem chora os mortos, entretanto, O Esquecimento vem e enxuga o pranto, E é esse apenas o consolo amargo!

