
(estrofe) Disseram: só um sobe, o povo espera, O monte é vedado, a voz é severa, Entre o céu e a terra ergueu-se um degrau, Chamaram de santo o distanciamento ritual. (estrofe) A fé virou fila, controle e senha, Quem fala por Deus também o detém na algema, O acesso fechado sustenta o poder, Pois quem monopoliza, decide quem pode crer. (estrofe) Aprendi a temer minha própria oração, A achar perigosa a minha comunhão, Se não fosse autorizado, ungido, eleito, Meu clamor parecia suspeito. (refrão) Mas em Jesus o véu se rasgou, Todo muro caiu, o Pai se aproximou, Não há degraus no amor revelado, Todo filho é livre, todo filho é chamado. (estrofe) Um Deus distante favorece a hierarquia, Pois governa melhor quem media a alegria, Quando poucos sobem e muitos só ouvem, A fé se encolhe, as consciências se movem. (estrofe) Chamaram obediência de reverência, E dependência de santa prudência, Mas Deus não se esconde em castas espirituais, Quem ama não cria pedágios celestiais. (estrofe) Jesus senta à mesa com quem nunca subiu, Fala com mulheres, pobres, gentios, Não pede credencial, nem cargo sagrado, Revela um Pai acessível, nunca privatizado. (refrão) Em Cristo não há acesso exclusivo, O amor é direto, pleno e vivo, Não preciso de dono da revelação, O Espírito fala ao coração. (estrofe) Se disseram que Deus só fala por poucos, Foi zelo humano moldando seus focos, Confundiram liderança com mediação, E chamaram de ordem o que era dominação. (ponte) Perdão, Senhor, por sustentar a ideia De que Tu precisavas de muralha e plateia, Defendi intermediários como se fossem luz, Quando o acesso sempre foi aberto em Jesus. (refrão) Não és Deus de castas nem de exclusão, Não delegas o amor à instituição, Em Cristo chamaste todos à relação, Face a face, sem permissão. (refrão final) Hoje descanso em Jesus, Deus-amor, Acesso livre, sem medo ou favor, Jamais serias outro, nem mediador distante, Conosco estás, próximo, terno e constante.

