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Reza Nua do Fogo

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V4.5+

[verso] Pai, não vou funerar meus pés nos teus sapatos — couro caixão, sola sem Deus, passo sem reza. Quero o barro em brasa, raiz quebrando asfalto, formiga em miocardio, samba é hemorragia que endireita a espinha. [verso] Pai, não vou enforcar o verbo na tua gravata — aço de etiqueta, suicídio social em preto e branco. Quero gola no chão, peito aberto pra bala, pele queimando o véu do certo, eu sou o desacato que canta. [pré-refrão] Não quero trono de cinzas, rei de papelão em fábrica de homens sem nome. Me dá o trovão da rua, sangue com cheiro de lua, estrelas cuspindo fogo no peito aberto — eu sou o contranome que pulsa. [refrão] Deixa eu ser louco e descalço, dente rachado na boca do rock, lua no bolso, fúria na coxa, corda no pescoço virada em corda de violão. Troca tua coroa por uma guitarra — prefiro ser fogo que fria, prefiro ser o fim que nunca termina, prefiro ser o grito que eterniza. [verso] Se a noite cair feio, se a sorte me der na cara, minhas cicatrizes cantam em três notas: tambor de rodA, vento na ferida, fim que não existe — só recomeço queimando o passado. [refrão final] Pai, não vou calçar teus sapatos — nenhuma marca que o mundo use. Deixa eu dançar no caco de vidro, rir do corte, louco descalço sem nada que iluda, só o barro, o som, o sangue, e o resto que venha — eu já nasci cru, eu já nasci canção.