
(estrofe) No monte fumegante disseram: tremei, Que o som do trovão era Deus, eu acreditei, Fogo e ameaça vestiam o sagrado, E o medo virou caminho autorizado. (estrofe) Relâmpagos faziam calar o pensar, A distância parecia ensinar a amar, Quanto mais pavor, mais obediência, Chamaram terror de santa reverência. (estrofe) Aprendi a baixar os olhos ao rezar, Como quem teme até respirar, Se Deus se aproxima causando pavor, A alma se curva, mas não cria amor. (refrão) Mas o Deus de Jesus diz: não temas, vem, Não governa pelo susto ou pelo além, Acessível, próximo, humano também, O amor não ameaça, apenas sustém. (estrofe) No Sinai ergueram cercas ao redor, Como se Deus fosse perigo maior, Mas cercas protegem quem quer dominar, Não quem deseja livremente amar. (estrofe) O medo educa pelo encolher, Ensina a fugir, não a florescer, Forma fiéis em constante tensão, Que obedecem por pânico, não por convicção. (estrofe) Jesus caminha em outra direção, Toca leprosos, chama pelo nome João, Se aproxima dizendo: paz esteja aqui, Onde há amor, o medo perde o porvir. (refrão) Não és Deus do grito que paralisa, Nem da ameaça que escraviza, Em Jesus és voz que tranquiliza, Presença mansa que humaniza. (estrofe) Se o texto falou em tremor e pavor, Foi a linguagem de um tempo em dor, Homens projetando em ti seu temor, Confundindo controle com santo rigor. (ponte) Perdão, Senhor, por te defender com medo, Por chamar terror de zelo cedo, Por achar que o pânico te glorificava, Quando na verdade minha alma se anulava. (refrão) Tu não ages pelo medo imposto, Nem pelo susto bem-disposto, Em Jesus revelas teu rosto, Amor acessível, livre, exposto. (refrão final) Hoje descanso em Jesus, Deus-amor, Sem ameaça, sem pavor, Jamais serias outro, nem maior rigor, Conosco és abrigo, presença e calor.

