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EU ME AMO NO QUE ESCREVO

(estrofe 1) Quando escrevo, desvendo aquilo que escondi, rabiscos que revelam o que nunca admiti; na folha branca mora tudo o que vivi, e o verbo salva o eu que quase perdi. (estrofe 2) A caneta não mede o medo que respiro, mas acolhe o silêncio que no peito eu miro; cada palavra renova o que ainda prefiro, transforma cicatriz no mais terno suspiro. (estrofe 3) Escrever é coragem que não se intimida, é porto seguro na hora indefinida; em cada linha, renasce minha vida, e o amor-próprio me serve de guarida. (refrão) Eu me amo no que escrevo e descrevo, me reinvento em cada letra que recebo; sou jardim que nasce no texto que tece o amor que cultivo quando me fortalece. (estrofe 4) No verso encontro abrigo e direção, um lume aceso dentro da escuridão; a escrita cura qualquer contradição, e me devolve inteiro ao próprio coração. (estrofe 5) Sem medo, eu narro o que antes temi, retiro espinhos que já consentia em mim; o gesto simples de escrever assim transforma ruína em clarão de jasmim. (estrofe 6) A alma sorri quando o papel me entende, e o que me fere, no poema se rende; cada verdade que a mão surpreende refaz a paz que o amor-próprio acende. (refrão) Eu me amo no que escrevo e descrevo, me reinvento em cada letra que recebo; sou jardim que nasce no texto que tece o amor que cultivo quando me fortalece. (estrofe 7) Escrever é pousar no infinito interior, é colher lembranças do antigo temor; mas também é celebrar o meu valor, um templo vivo erguido no meu labor. (estrofe 8) Assim registro quem sou quando me escuto, um eco firme de presença em cada minuto; e, mesmo quando o caminho parece dissoluto, o que escrevo me reúne e me faz absoluto. (ponte) Ah, quantas vezes me abandonei sem perceber, buscando amor em quem não sabia devolver; troquei minha essência por aplausos do viver, e esqueci que é em mim que preciso florescer. (refrão) Eu me amo no que escrevo e descrevo, me reinvento em cada letra que recebo; sou jardim que nasce no texto que tece o amor que cultivo quando me fortalece. (refrão final) Agora me amo mais quando escolho me amar, até quando a vida tenta me desafiar; em qualquer tempo, eu decido me abraçar, pois o amor em mim nunca mais vai se apagar.