
[Intro] [Accordion solo] [Brazilian Northeastern accent] A mulher faz diferença No cenário do cordel Conhece bem seu papel E no palco tem presença A musa roga licença Para iniciar seu canto Sabe escrever com encanto Enaltecendo a cultura Ornando a literatura Em todo e qualquer recanto. Para o seu cordel fazer A mulher se preparou Ela se capacitou Garanto e posso dizer Fez e faz por merecer Esse lugar conquistado Pois já ficou comprovado Que seu nome é competência Das regras tomou ciência Tem currículo aprovado. É cheio de inovação O Cordel vestindo saia Lá no alto feito arraia Faz a sua evolução Não esquece a tradição Traz de volta a cantadeira Dando voz a cirandeira Com seus trajes coloridos Os aplausos repetidos Saúdam essa bandeira. Na peleja virtual A mulher, bonito faz Demonstra que é capaz Destemida e atual Se um dia foi desigual O mundo cordeliano Na saia ela botou pano Para rodar o babado Espantar o mau olhado E seguir sem desengano. Na boca da cordelista Renasce o cordel cantado Por muitos apreciado É imensa a nossa lista A mulher está na pista Faz graça na cantoria Encara bem a porfia Na hora de pelejar Canta sem titubear Agindo traz alegria. É a mulher nordestina A que canta alegremente Os versos que tem na mente Com sorriso de menina Se junta e não desatina Para dar o seu recado Bota o cordel no tablado Nos cabelos uma flor Sabe que tem seu valor E pra ela tem mercado. Nosso cordel feminino Nosso cordel de mulher Não é de meia-colher É arte de quem tem tino E usa tempero fino Para os versos temperar Assim consegue agradar Quem gosta do que é bom Por não ter medo do tom Da fêmea a versejar. Hoje já vejo calcinha Lado a lado com cueca Em bancas ou cordelteca Uma com outra se alinha Pois antes só homem tinha Esse lugar ocupando Mas a coisa foi mudando Pra nossa felicidade Chega, enfim, a igualdade De gênero se irmanando. Ser cantada ou escrachada Ou ser musa de poeta Da mulher não era a meta Eu não estou enganada Sem se fazer de rogada Ela então se resolveu E seu cordel escreveu Dando fim a tirania Nasceu cordel de Maria Cresceu e sobreviveu. Sem drama e sem salseiro O homem não relutou A mulher ele aceitou Acabou sendo parceiro Age no mesmo terreiro Mas no fundo a gente sente Que ainda é diferente A condição feminina O homem sempre termina Com vantagens, claramente. Com decote ou sem decote A mulher chega e abusa Enfeita sacola e blusa Canta dança e dá pinote Perfuma bem o cangote Em cada apresentação Faz a sua saudação Sempre em alto e bom som Com a boca de batom Capricha na louvação. Louva a Matuta fogosa Que se vestia de chita Botava laço de fita Só para ficar mimosa Louva a cabocla cheirosa Que vivia no sertão E dançava São João Nos bons tempos de fogueira Toda jeitosa e faceira E seguindo a tradição. Louva a famosa Maria Parceira de Lampião Que gostou do Capitão E largou sua moradia Pra viver como queria Ao lado do cangaceiro Sua paixão o parceiro Que cruzou em seu destino Um romance nordestino Do casal aventureiro. Louva a mulher aguerrida Que pelo mundo se embrenha Que é Maria da Penha Que não desistiu da vida E disso ninguém duvida É verdade absoluta É comandante da luta Que favorece a mulher E pelo o que faz requer Respeito a sua conduta. Viva a mulher cordelista Que inovou no cordel Que faz versos à granel No assunto é estilista Sempre tem nova conquista É artesã da cultura Agrega a literatura Poesia e artesanato Entrelaça em cada ato Subsídios pra leitura. A fêmea que se escondia Nome e sobrenome tem Faz o cordel e faz bem É membro de academia No mundo da poesia Que hoje se descortina Com a verve feminina De sortilégio replena A mulher se mostra plena Escreve, assume e assina. [Accordion solo] [End]

