
Desci no solo sagrado, o ano era vinte-vinte O mundo andava parado, mas o meu peito era um brinde Salvador abriu os braços, primeira capital do chão Senti o peso da história batendo no coração Do Pelô ao Porto da Barra, a alma se arrepiou Vi a cidade de longe, e o axé me batizou. É em Itapuã que a boemia fez morada Onde a lua se derrama na areia prateada Vim buscar o samba, vim buscar a cor Cheguei na Bahia, o berço do meu amor! O dia nasce dourado, o sol queima no Farol A tarde cai de mansinho, num mergulho de lençol E quando a noite floresce, o movimento não para Tem batuque na ladeira, tem sorriso na cara É festa de largo, é santo, é gandaia e oração Onde a fé e a alegria dividem o mesmo chão. É em Itapuã que a boemia fez morada Onde a lua se derrama na areia prateada Vim buscar o samba, vim buscar a cor Cheguei na Bahia, o berço do meu amor! E o samba? Ah, o samba é de primeira! Não é samba de vitrine, é samba de ribeira É mão no couro, é pandeiro e viola Em Itapuã, quem é mestre não joga conversa fora É o balanço da rede, é o cheiro do dendê A Bahia ensina o mundo o que é saber viver. Vinte-vinte no calendário, eternidade no olhar Pisei na areia de Vinícius, fiz do mar o meu lugar... (Itapuã... ô, Itapuã...)

