
Às quatro da manhã... O mundo ainda sonha. Mas há uma luz que já atravessa a autoestrada. Não procura fama. Nem reconhecimento. Procura apenas... Chegar. Enquanto alguém vira mais um lado da almofada... Há um homem que já fez duzentos quilómetros. Enquanto alguém reclama porque o pão chegou cinco minutos atrasado... Houve outro que atravessou a chuva, o gelo e o cansaço para que esse pão lá estivesse. O mundo conhece marcas. Nós conhecemos pessoas. A rapariga que sorri sempre no parque de serviço. O velho empregado que sabe exatamente como gostas do café. O motard que abranda só para levantar o polegar. O homem da boina vermelha que percebe o teu silêncio... porque também já carregou os seus. É estranho... Passamos a vida a sair de casa... Só para perceber que tudo o que queremos é voltar. Talvez seja isso... Ser homem da estrada. Não fugir. Mas ter sempre uma razão para regressar.

