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DEUS QUE SE GLORIFICA NA MORTE

(estrofe) O mar fechado vira altar triunfal, Afogados viram prova do agir divinal, O canto sobe forte, solene e fatal, Como se a morte fosse um bem celestial. (estrofe) Tambor e dança selam a libertação, Mas o preço afunda na mesma canção, Vidas vencidas viram exaltação, E o luto do outro não tem tradução. (estrofe) A glória é narrada em corpos no chão, O poder se mede pela extinção, Quando vencer significa aniquilação, A fé se confunde com dominação. (refrão) Mas o Deus de Jesus não canta a morte, Ele a enfrenta, chora e muda a sorte, Sua glória é vida em todo suporte, Plenitude que vence o último corte. (estrofe) O texto antigo carrega sobrevivência, Memória ferida, grito de resistência, Mas quando vira regra e permanência, Transforma trauma em doutrina violenta. (estrofe) A morte exaltada parece vitória, Mas cobra juros altos na história, Constrói-se um Deus refém da memória, Que confunde poder com glória. (estrofe) Então surge um Cristo que para o cortejo, Toca o caixão, interrompe o despejo, Onde esperavam silêncio e desprezo, Ele devolve vida, gesto e desejo. (refrão) O Deus revelado em Jesus é compaixão, Não se engrandece na devastação, Sua glória pulsa na ressurreição, E não no fim brutal de uma nação. (estrofe) Diante do túmulo, o Filho não celebra, Chora com quem a morte atravessa, Ali Deus confessa, sem nenhuma reserva, Que perder alguém jamais o enalteça. (ponte) Perdão, Senhor, por ter te reduzido à força, Por chamar de glória aquilo que destroça, Defendi um Deus preso à lógica da morte, Para não seguir o Cristo que escolhe outra sorte. (refrão) Tu não te glorificas no fim de ninguém, Teu prazer não está no mal que convém, Em Jesus revelas, clara e além, Que a vida plena é teu eterno amém. (refrão final) Hoje descanso em Jesus, Deus-amor, Que vence a morte sem nenhum rancor, Jamais serias outro, nem por clamor, Conosco és vida, graça e vigor.