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A EMOÇÃO HUMANA ESTÁ NA ESCRITURA

(estrofe 1) Nas páginas antigas há sal sobre o papel, lágrimas caindo em silêncio sob o céu; cada frase carrega o peso de um coração, como chuva que molha os sulcos do chão. (estrofe 2) Há noites de angústia, perguntas sem resposta, portas entreabertas, esperança recomposta; o medo escreve sombras no pergaminho nu, como vento no vale antes da luz do azul. (estrofe 3) Também há gritos duros nascidos da aflição, palavras inflamadas pedindo reparação; como brasas ocultas sob cinzas no altar, o ódio humano aprende a se revelar. (estrofe 4) A Bíblia não disfarça a fragilidade do ser, nem veste os seus autores com perfeição de viver; ela conserva a verdade do que alguém sentiu, quando a alma ferida diante de Deus se abriu. (refrão) Há lágrimas na Escritura, há medo e clamor, há sombras na pena e sementes de amor; Deus acolhe o humano sem o silenciar, e faz da emoção um caminho para falar. (estrofe 5) Jeremias chorou como rio em estação de cheia, Jó debateu com o céu na cinza e na areia; Davi cantou entre harpas, cavernas e cruz, e cada emoção deixou vestígios de luz. (estrofe 6) Como vitrais partidos recebendo o sol, cada coração mostrou diverso arrebol; a mesma presença atravessa a dor, tingindo de sentido a voz do escritor. (estrofe 7) Não há fé autêntica sem risco de sentir, nem oração sincera sem o peito se abrir; o texto sagrado respira humanidade, como árvore que cresce em meio à tempestade. (refrão) Há lágrimas na Escritura, há medo e clamor, há sombras na pena e sementes de amor; Deus acolhe o humano sem o silenciar, e faz da emoção um caminho para falar. (estrofe 8) Uns escreveram tremendo diante da opressão, outros celebraram colheita e libertação; entre festa e lamento, entre guerra e paz, a alma humana deixou sinais ancestrais. (estrofe 9) Quem lê as Escrituras encontra mais que doutrina, encontra a carne viva da experiência divina; como conchas guardando o rumor do mar, os textos conservam o que o peito quis contar. (estrofe 10) Por isso a Bíblia canta com voz tão plural, misturando o eterno ao humano real; e o Espírito sopra, paciente e gentil, no barro sensível de quem chorou e sentiu. (refrão) Há lágrimas na Escritura, há medo e clamor, há sombras na pena e sementes de amor; Deus acolhe o humano sem o silenciar, e faz da emoção um caminho para falar.