
(estrofe 1) Sobre a terra em fuga desabou o temporal, Pedras enormes vieram do alto, inesperadas; O texto viu naquele fenômeno natural As mãos do Senhor contra vidas condenadas. (estrofe 2) Josué dez registra a cena com fervor: Mais morreram pelo granizo que pela espada; A memória do povo interpretou o horror Como resposta divina à batalha travada. (estrofe 3) Para uma antiga visão do universo e do céu, Chuva, trovão e granizo tinham voz; O extraordinário recebia o nome de Deus, E o acontecimento parecia falar por nós. (estrofe 4) Mas uma tempestade não precisa de intenção, Nem todo desastre carrega sentença do céu; O fenômeno pode ser real em sua dimensão, Sem provar que Deus tenha lançado o que aconteceu. (refrão) AS PEDRAS DE GRANIZO ENVIADAS POR DEUS, Assim o antigo relato quis interpretar; Mas o Deus revelado por Jesus, Filho de Deus, Não precisa ferir para sua glória demonstrar. (estrofe 5) Se o céu escurece e a tormenta vem cair, O lavrador não pergunta primeiro quem pecou; A natureza possui seus caminhos para agir, E o sofrimento humano nem sempre vem de quem o causou. (estrofe 6) Jesus encontrou enfermos, feridos, sofredores, Sem transformar suas dores em culpa pessoal; Não classificou tragédias como castigos dos pecadores, Nem fez do sofrimento uma sentença celestial. (estrofe 7) Quando uma torre caiu e dezoito morreram, Jesus recusou aquela explicação simplista; Não disse que os mortos mais culpados eram, Nem fez da tragédia uma punição prevista. (refrão) AS PEDRAS DE GRANIZO ENVIADAS POR DEUS, Podem ter sido vistas como instrumento de punição; Mas Jesus não transforma fenômenos e céus Em provas automáticas da divina condenação. (estrofe 8) Há diferença entre o céu que deixa a chuva acontecer E a leitura humana que lhe atribui um alvo; Uma coisa é contemplar a tempestade descer, Outra é declarar que Deus matou alguém de modo calculado. (estrofe 9) A fé pode narrar o espanto diante da tempestade, Pode enxergar providência, sustento e criação; Mas afirmar que cada raio executa uma vontade Exige mais que o medo diante da imensidão. (estrofe 10) Em Jesus, o Pai não aparece como carrasco do trovão, Nem como senhor que seleciona quem deve perecer; Ele toca feridas, acolhe, perdoa e oferece salvação, E ensina que amar é a forma de Deus aparecer. (ponte) Quanto falhei por confundir interpretação com revelação, Por transformar o fenômeno em decreto celestial; Chamei de voz de Deus a leitura de uma geração, E coloquei sobre Jesus um retrato que lhe era desigual. (refrão) AS PEDRAS DE GRANIZO ENVIADAS POR DEUS, Não precisam representar o Deus que Jesus mostrou; O fenômeno pode ter ocorrido debaixo dos céus, Mas a violência atribuída a Deus, não a confirmou o Salvador. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus perfeito em amor, Nele reconheço o Pai sem sombra de contradição; Jamais será diferente conosco, Senhor, Pois seu amor não transforma o céu em arma de destruição.

