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Meu nome no crachá

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V6

[Verso 1] Na fotografia antiga Eu tinha vinte e poucos anos Uma camisa emprestada E uma certeza nos planos Meu pai ficou na calçada Até o ônibus sumir Eu prometi mandar notícias Quando tivesse o que dizer [Verso 2] Hoje eu conheço os horários De cada trem da estação Sei quanto custa um domingo Se eu disser não ao patrão Meu nome está no crachá Minha janela dá num muro E eu, que vim mudar de vida, Vivo adiando o futuro [Pré-refrão] Minha mãe pergunta se eu como Meu pai pergunta se está bom Eu digo “está tudo certo” Com a televisão sem som [Refrão] Eu não vim de tão longe Pra ficar longe de mim Pra ver meu rosto no vidro E perguntar: “Quem mora aí?” Ainda há tempo de errar Por uma escolha que seja minha Não quero uma vida perfeita Quero me reconhecer nela [Verso 3] Encontrei um velho amigo Na saída de um hospital Falamos do preço das coisas Do trânsito, do temporal Ele guardou o telefone E perguntou sem sorrir: “Você ainda toca à noite?” Eu disse: “Não dá pra ir” [Verso 4] Depois fiquei com vergonha Da resposta que inventei Não era falta de tempo Era o medo que eu criei Meu violão estava em casa Atrás de caixas vazias Eu vinha poupando as cordas Como se poupasse os dias [Pré-refrão] Tirei a poeira da madeira Sentei no chão do corredor A primeira nota foi feia A segunda já me encontrou [Refrão] Eu não vim de tão longe Pra ficar longe de mim Pra ver meu rosto no vidro E perguntar: “Quem mora aí?” Ainda há tempo de errar Por uma escolha que seja minha Não quero uma vida perfeita Quero me reconhecer nela [Ponte — voz próxima, instrumentos reduzidos] Não vou pedir minha demissão Só pra tornar bonito o enredo Tenho aluguel no fim do mês E não me envergonho do medo Mas nesta quinta, às oito, Há um palco perto da estação Já pus meu nome na lista Já separei o violão [Verso final — interpretação crescente] Talvez ninguém fique ouvindo Talvez me falhe a voz Talvez eu volte no último trem Sentado, sozinho, após Mas vou levar uma história Pra contar quando ela ligar: “Mãe, hoje eu cantei pra gente Que nem sabia me chamar” [Refrão final] Eu não vim de tão longe Pra ficar longe de mim Há um homem de carne e desejo Sob a fotografia aqui Ainda há tempo de errar Por uma escolha que seja minha Não quero uma vida perfeita Quero me reconhecer nela [Outro — voz e violão] Amanhã, às sete e meia, Ponho de novo o crachá Meu nome é o mesmo de ontem Mas tenho o que contar