
(estrofe 1) Havia em mim um jovem de horizonte aberto, Que via em cada estrada um amanhã por perto; O medo lhe dizia: “talvez não vá dar certo”, Mas ele respondia: “vou tentar, mesmo incerto”. (estrofe 2) Sonhava com trabalho, conquistas e aventura, Com uma vida abundante, fecunda e segura; Se havia algum obstáculo fechando a passagem, Ele fazia do desafio uma nova aprendizagem. (estrofe 3) Acreditava nas pessoas, na força da amizade, Na possibilidade de mudar a realidade; Tinha dentro do peito uma estranha convicção: Que o impossível era apenas uma opinião. (estrofe 4) Se alguém dizia “é difícil”, ele queria começar, Pois tinha tanta esperança que preferia experimentar; Não conhecia ainda todos os limites da razão, E essa confiança lhe emprestava asas ao coração. (refrão) O JOVEM QUE ACREDITAVA EM TUDO ainda vive em mim, Com sua esperança teimosa, seu começo sem fim; Não quero apagar seus sonhos nem sua capacidade, Quero guardar sua coragem junto à maturidade. (estrofe 5) Ele queria servir, construir e transformar, Encontrar um sentido para poder colaborar; Pensava que uma escolha podia o mundo melhorar, E que uma vida com propósito valia o caminhar. (estrofe 6) Havia sonhos enormes ocupando pouco espaço, E cada novo projeto recebia um forte abraço; Não media as montanhas pela altura que mostravam, Pois seus olhos procuravam os caminhos que faltavam. (estrofe 7) Também acreditava que o amor podia vencer, Que depois de uma queda sempre havia o que fazer; Nem sempre acertava, nem tudo acontecia, Mas sua esperança renascia com a luz de cada dia. (refrão) O JOVEM QUE ACREDITAVA EM TUDO ainda vive em mim, Com sua esperança teimosa, seu começo sem fim; Não quero apagar seus sonhos nem sua capacidade, Quero guardar sua coragem junto à maturidade. (estrofe 8) Depois vieram os anos trazendo outras verdades, As perdas, os limites, as difíceis realidades; Aprendi que ter esperança não dispensa precaução, E que coragem verdadeira também escuta a razão. (estrofe 9) Mas não quero que a experiência me transforme em desengano, Nem que cada cicatriz determine o meu plano; Quero aquele entusiasmo novamente respirar, Sem deixar de reconhecer o que aprendi ao caminhar. (estrofe 10) Hoje encontro aquele jovem nas memórias do passado, Com seus olhos para o mundo e seu futuro imaginado; Tenho saudades daquele que ousava acreditar, E quero oferecer-lhe espaço para novamente sonhar. (ponte) Perdoa-me, meu jovem, pelas vezes que te abandonei, Quando o peso das derrotas fez calar o que sonhei; Confundi prudência com medo e experiência com desistência, E deixei que o desencanto ocupasse tua presença. (refrão) O JOVEM QUE ACREDITAVA EM TUDO ainda vive em mim, Com sua esperança teimosa, seu começo sem fim; Não quero apagar seus sonhos nem sua capacidade, Quero guardar sua coragem junto à maturidade. (refrão final) Hoje eu amo quem eu sou e escolho acreditar, Com os pés firmes no presente e coragem para sonhar; Se a tristeza vier, terá seu legítimo lugar, Mas minha alegria permanece: ainda quero caminhar.

