[INSTRUMENTAL] O café está entre pardais e canários, eles sabem mais da paz do que nós. O pão desmancha entre meus dedos frios, o sol brinca na sombra dos pinheirais. Não quero promessas, nem novos altares, ela pede o que já dei demais. O futuro é um espelho rachado, onde o medo se faz minha voz. [PRE-CHORUS] E o vento sopra — parece orar, dizendo “volta”, mas pra onde voltar? [CHORUS] Ah, se o tempo voltasse pra mim, quando o amor ainda era jardim. O café está esfriando e o vento está soprando. Preciso perder pecados, mas meu corpo insiste em ficar. Tenho vergonha no altar de Cristo, e fé demais pra abandonar. Cansei dos farsantes, meus amigos ainda sonham com luz. Falam de uma Jerusalém terrestre, na capital federal, mas eu só vejo a cruz. [PRE-CHORUS] Sou julgado por réguas tortas, corrigido por analfabetos, surdos dizem ouvir meu grito. [CHORUS] Ah, se o tempo voltasse pra mim, quando o amor ainda era jardim. O café está esfriando e o vento está soprando. [BRIDGE] Pardais fugiram do meu quintal, e eu fugi de mim também. O café acabou, os pássaros se foram, e o vento... esfriou.