
(estrofe 1) Há um bem que anda leve pela rua, não pede palco, não chama atenção, é alegria que nasce contínua no gesto simples de um coração. (estrofe 2) Ela chega sem voz elevada, sem discurso, sem cartaz moral, é presença discreta e encarnada que torna o dia menos brutal. (estrofe 3) Quem é alegre sem anunciar não impõe riso nem solução, apenas vive, deixa passar um jeito manso de compaixão. (refrão) Quero ser bênção sem alarde algum, alegria que espalha sem se impor, ser luz comum no caminho comum, sem holofote, sem clamor. (estrofe 4) Não é fuga da dor que existe, nem negação do choro real, é coragem ser feliz e triste sem transformar isso em ritual. (estrofe 5) Ser alegre assim é escolha diária, não um prêmio por estar bem, é ética silenciosa e solidária que não pergunta a quem. (estrofe 6) Há um bem que não pede retorno, não cobra aplauso nem razão, ele aquece como sol de inverno no quintal da relação. (refrão) Quero ser bênção sem alarde algum, alegria que espalha sem se impor, ser luz comum no caminho comum, sem holofote, sem clamor. (estrofe 7) A alegria madura não grita, não compete, não quer vencer, ela apenas se acredita capaz de viver e permanecer. (estrofe 8) Quando escolho esse jeito de ser, o mundo não muda inteiro, não, mas muda o modo de eu me mover no chão concreto da situação. (ponte) Lamento os dias em que neguei a alegria, achando virtude viver fechado, quando, por não me querer bem, eu feria quem só precisava de um lado. (refrão) Quero ser bênção sem alarde algum, alegria que espalha sem se impor, ser luz comum no caminho comum, sem holofote, sem clamor. (refrão final) Hoje eu me amo, mesmo ao doer, aceito a tristeza quando ela vem, mas decido, consciente, viver como alguém alegre, fazendo o bem.

