
(estrofe 1) A terra tinha nomes, histórias e memória, Famílias que plantavam, construíam seu lugar; Mas veio a conquista, anunciada como vitória, E o direito de permanecer começou a vacilar. (estrofe 2) Judá enfrentou os povos, mas não tomou as alturas, Pois os carros de ferro impediram seu avanço; Outras tribos também encontraram dificuldades, E a ocupação prosseguiu entre recuos e avanços. (estrofe 3) Betel, Gezer, Megido, povos e cidades, Cada nome guarda vidas que o relato não contou; A narrativa enumera conquistas e dificuldades, Mas pouco diz das famílias que a guerra deslocou. (estrofe 4) Não eram simples espaços vazios no chão, Nem terras sem passado, sem trabalho ou raiz; Havia gente, vínculos, cultura e tradição, Antes que a conquista redesenhasse o país. (refrão) DEUS E A EXPULSÃO DOS POVOS — eis a questão: Não faço da fé instrumento de expulsão! Jesus não autorizou dominar por religião: A dignidade humana não se apaga pela ocupação! (estrofe 5) A promessa de uma terra não apaga outra história, Nem transforma em justo o sofrimento de alguém; Um povo não precisa apagar outra memória Para construir seu futuro e viver também. (estrofe 6) Quando a crença se mistura ao poder territorial, A fronteira pode ganhar aparência de altar; E o interesse de domínio, vestido de ideal, Pode chamar de sagrado o ato de expulsar. (estrofe 7) Mas quem contempla o próximo com misericórdia Não reduz sua existência a um obstáculo qualquer; A justiça não se constrói apagando uma história, Nem se faz do sofrimento alheio um dever. (refrão) DEUS E A EXPULSÃO DOS POVOS — eis a questão: Não faço da fé instrumento de expulsão! Jesus não autorizou dominar por religião: A dignidade humana não se apaga pela ocupação! (estrofe 8) Jesus chorou por Jerusalém, sua cidade, E lamentou a violência que a paz não acolheu; Não fez da força o caminho da verdade, Nem chamou de Reino o domínio que oprimiu. (estrofe 9) O estrangeiro não é ameaça por ser diferente, Nem perde seus direitos por não compartilhar a fé; O amor que acolhe reconhece plenamente Que cada vida tem valor, onde estiver de pé. (estrofe 10) A terra pode ser disputada por gerações, Mas nenhuma fronteira é maior que uma pessoa; Não se anuncia o Reino expulsando populações: A paz floresce quando a justiça não exclui ninguém à toa. (ponte) Quanto falhei ao chamar de vontade divina Toda conquista narrada sob linguagem de religião! Não percebi que a fé, quando ao poder se inclina, Pode vestir de céu a humana ambição. (refrão) DEUS E A EXPULSÃO DOS POVOS — eis a questão: Não faço da fé instrumento de expulsão! Jesus não autorizou dominar por religião: A dignidade humana não se apaga pela ocupação! (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus de Amor, Jamais seria diferente em sua relação; Não expulsaria ninguém para provar seu valor: Seu Reino acolhe a vida, não consagra a opressão.

