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O BEM ESCONDIDO NAS COISAS

(estrofe 1) Há um bem discreto no que parece igual, que não se oferece ao olhar veloz, ele habita o intervalo natural entre o ruído do mundo e a nossa voz. (estrofe 2) Quem passa correndo chama de pouco o que pede espera para nascer, mas o simples, longe do foco louco, guarda mais do que quer parecer. (estrofe 3) No gesto comum mora uma chama, no detalhe mora direção, o bem se mostra a quem desacelera a alma e escuta o tempo com atenção. (refrão) Há bem escondido no que é banal, só vê quem aprende a demorar, a alegria cresce no olhar leal que escolhe calma para enxergar. (estrofe 4) Já confundi silêncio com ausência, e rotina com falta de cor, porque meu olhar, sem paciência, perdia o rastro do valor. (estrofe 5) O mundo não grita seus presentes, não disputa palco nem razão, o bem se entrega mansamente a quem pousa o coração. (estrofe 6) Não é milagre nem fantasia, é treino diário de percepção, ver o bem exige companhia da calma feita decisão. (refrão) Há bem escondido no que é banal, só vê quem aprende a demorar, a alegria cresce no olhar leal que escolhe calma para enxergar. (estrofe 7) Pessoas também guardam segredos bons sob camadas de defesa e dor, quem olha além das primeiras tons descobre reservas de amor. (estrofe 8) Assim caminho menos apressado, sem exigir brilho do instante, o bem oculto, quando achado, me torna alegre e vigilante. (ponte) Lamento os dias em que não esperei, quando troquei presença por pressa, e, por não querer ser alegre, ignorei o bem que me atravessa. (refrão) Há bem escondido no que é banal, só vê quem aprende a demorar, a alegria cresce no olhar leal que escolhe calma para enxergar. (refrão final) Hoje eu me amo e reduzo o passo, escolho alegria sem negar a dor, sei que a tristeza vem no traço, mas não me cega ao bem maior.