
Imortal atitude Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Abre os olhos à Vida e fica mudo! Oh! Basta crer indefinidamente Para ficar iluminado tudo De uma luz imortal e transcendente. Crer é sentir, como secreto escudo, A alma risonha, lúcida, vidente... E abandonar o sujo deus cornudo, O sátiro da Carne impenitente. Abandonar os lânguidos rugidos, O infinito gemido dos gemidos Que vai no lodo a carne chafurdando. Erguer os olhos, levantar os braços Para o eterno Silêncio dos Espaços E no Silêncio emudecer olhando...

