
Um dia... O meu camião vai parar. A chave vai ficar em silêncio. E o banco, que durante tantos anos guardou o peso dos meus dias, vai esperar por alguém que nunca mais se vai sentar. Mas não tenham pena de mim. Porque eu vivi. Vi o sol nascer mais vezes na estrada do que muita gente pela janela de casa. Conheci países que não aparecem nos postais. Porque os postais nunca mostram os parques de serviço às três da manhã. Nem o camionista que divide o último café. Nem o motard que pára só para perguntar: "Está tudo bem, irmão?" Nem o homem de boina vermelha, que aprendeu cedo que a maior vitória é conseguir voltar para casa. A vida ensinou-me que os mapas mostram caminhos... Mas nunca mostram as pessoas que lhes dão significado. Se algum dia passares pelo meu camião já parado... Não baixes a cabeça. Sorri. Porque cada risco na pintura, cada pedra no para-brisas, cada quilómetro no contador... Não são marcas do tempo. São assinaturas de uma vida que valeu a pena. E quando alguém perguntar quem eu fui... Não respondas com o meu nome. Diz apenas... "Foi um homem que nunca deixou a estrada... nem a estrada o deixou a ele."

