
(estrofe 1) O bem que faço nem sempre é limpo, traz hesitação, cansaço e medo, às vezes nasce curto e simples, mas ainda assim rompe o degredo. (estrofe 2) Não vem do alto nem do ideal, vem do chão, da falha assumida, é gesto pequeno, quase banal, mas insiste em salvar a vida. (estrofe 3) Há bondade com mão tremendo, com cálculo, atraso e limite, mesmo assim segue acontecendo quando o coração não desiste. (refrão) Prefiro o bem real ao perfeito, o gesto possível ao ideal, é nessa escolha que ajeito meu jeito alegre de ser no real. (estrofe 4) Já fiz o bem misturado ao medo, à culpa, ao desejo de aprovação, e ainda assim houve alívio cedo no outro e no meu próprio chão. (estrofe 5) A pureza absoluta paralisa, cobra um nível que ninguém tem, mas a bondade que se improvisa é a que de fato faz bem. (estrofe 6) Quando aceito meu bem incompleto, paro de adiar o amor, descubro que o gesto imperfeito também é semente em flor. (refrão) Prefiro o bem real ao perfeito, o gesto possível ao ideal, é nessa escolha que ajeito meu jeito alegre de ser no real. (estrofe 7) A alegria não mora na excelência, mas na coragem de tentar, errar, ajustar a consciência e ainda assim recomeçar. (estrofe 8) O bem imperfeito me humaniza, me livra do peso da cena ideal, e a vida, menos rígida, avisa: o amor possível já é vital. (ponte) Lamento os dias em que recusei tentar, por medo de não ser exemplar, e, por não querer ser alegre, deixei o bem morrer antes de andar. (refrão) Prefiro o bem real ao perfeito, o gesto possível ao ideal, é nessa escolha que ajeito meu jeito alegre de ser no real. (refrão final) Hoje eu me amo sem me exigir pureza, sou alegre mesmo ao falhar, aceito a tristeza com delicadeza, mas escolho o bem e sigo a amar.

