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Eu ia escrever sobre o infinito de novo.

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V5

[INTRO - SPOKEN] Eu ia escrever sobre o infinito de novo. Mas aí você respirou do meu lado e o mundo inteiro coube nesse som. Então é isso. Hoje eu canto o pequeno. [VERSE 1] Tem um copo na pia, tem luz da rua cortando a sala, tem a geladeira roncando baixo como um bicho que sonha. E eu, no meio disso, tentando ser profundo— mas a profundidade agora é aprender a não acordar ninguém quando eu piso no corredor. Lá fora o céu faz suas contas, faz seus ramos, suas variações, mas aqui dentro um cobertor torto já é um universo em manutenção. [PRE-CHORUS] Porque a vida não grita “totalidade”, a vida sussurra “agora”. E “agora” é sempre pouca coisa— e é por isso que vale. [CHORUS] Se existe tudo, eu escolho isto: teu nome dito devagar pra não quebrar o silêncio. Se existe tudo, eu escolho isto: minha mão achando a tua mão como quem encontra sentido. E o resto— o resto pode ser infinito, mas eu moro nesse instante e isso me basta. [VERSE 2] Você me pergunta, sem perguntar, por que eu fico acordado. Eu digo “insônia”, mas é outra palavra: responsabilidade. É que o mundo é grande demais pra caber no peito sem machucar, então eu faço o que dá: arrumo as cadeiras, fecho a janela, desligo a TV do apocalipse e volto pro essencial. Um dia a gente some, eu sei, eu sei— mas antes disso tem café pra amanhã, tem roupa no varal, tem um remédio às seis, tem um beijo na testa que reorganiza o caos. [PRE-CHORUS 2] E eu entendo, sem entender: não é que o universo seja frio— é que ele é grande. E o calor acontece quando alguém decide ficar. [CHORUS] Se existe tudo, eu escolho isto: teu nome dito devagar pra não quebrar o silêncio. Se existe tudo, eu escolho isto: minha mão achando a tua mão como quem encontra sentido. E o resto— o resto pode ser infinito, mas eu moro nesse instante e isso me basta. [BRIDGE - SPOKEN] Dizem que a realidade é um recorte. Uma janela que se move. Talvez. Mas hoje eu aprendi outra coisa: o recorte também é um voto. E amar é votar no mesmo ramo toda noite, de novo. [BRIDGE - SUNG] Eu não salvo o mundo, eu não resumo o mar, eu não desenrolo as equações do azar— mas eu acendo uma lâmpada quando você tem medo, eu viro o travesseiro pro lado mais fresco. E nisso, sem espetáculo, eu sinto: o universo olhando pra si por um segundo e sorrindo. [FINAL CHORUS] Se existe tudo, eu escolho isto: o pequeno que não cabe em teoria, mas cabe no peito. Se existe tudo, eu escolho isto: um mundo do tamanho do quarto e a coragem de chamá-lo “meu jeito”. E o resto— o resto pode ser infinito, mas eu moro nesse instante… e eu fico. [OUTRO - SPOKEN] A terceira canção não fala de estrelas. Fala do que faz as estrelas não serem só números: alguém acordado, cuidando.