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PROMOÇÃO DO CONSUMISMO RELIGIOSO

(estrofe 1) Contando o cristianismo... é lembrar quando a fé ganhou vitrine e clarão, e o templo passou a anunciar sonhos com prazo e prestação. (estrofe 2) Nas prateleiras da devoção, a bênção ganhou embalagem dourada, e a esperança do coração foi tratada como mercadoria selada. (estrofe 3) O altar tornou-se grande vitral de ofertas, marcas e sedução, como se o Reino universal coube em catálogo e promoção. (estrofe 4) Pregaram que ter é sinal de graça, que vencer é acumular valor, e esqueceram que a vida passa quando o ouro substitui o amor. (refrão) Mas Jesus não vendeu o amanhã, nem cobrou entrada para o pão, seu tesouro cabia na manhã e seu Reino, no repartir da mão. (estrofe 5) O pobre olhava a televisão como quem contempla um novo altar, ouvindo que a prosperidade é unção para quem consegue ofertar. (estrofe 6) A cruz, outrora estrada estreita, virou logotipo de ascensão, e a fé, que nasceu imperfeita, foi moldada à lógica do cifrão. (estrofe 7) Entre slogans de conquista e posse, o serviço perdeu sua voz, como se Deus só reconhecesse quem sobe mais veloz que nós. (refrão) Mas Jesus não vendeu o amanhã, nem cobrou entrada para o pão, seu tesouro cabia na manhã e seu Reino, no repartir da mão. (estrofe 8) Ele falou dos lírios do campo, que não compram brilho ou esplendor, e mesmo assim vestem o manto da gratuidade do Criador. (estrofe 9) Disse também ao jovem abastado que a riqueza pode aprisionar, pois o coração acorrentado tem dificuldade de amar. (estrofe 10) Se a fé quiser voltar ao início, que troque vitrines por compaixão, pois o céu não é edifício, mas mesa aberta ao irmão. (refrão) Mas Jesus não vendeu o amanhã, nem cobrou entrada para o pão, seu tesouro cabia na manhã e seu Reino, no repartir da mão.