
(estrofe 1) Na névoa confusa da noite calada, Tudo se mistura no mesmo lugar, Mas chega a luz mansa, serena e dourada, E o mundo começa de novo a se formar. (estrofe 2) O tronco da árvore ganha contorno, A pedra se firma no chão do caminho, O vulto distante que parecia um adorno Se mostra presença vivendo sozinho. (estrofe 3) A luz desenrola as linhas do espaço, Costura fronteiras no campo visual, Transforma o informe num nítido traço Que o olhar reconhece como real. (estrofe 4) O que era mistura sem rosto definido Se torna distinto na clara visão, E o mundo, outrora difuso e perdido, Se ergue em formas de compreensão. (refrão) Ó luz que define o traçado da vida, Que marca limites do ser e do chão, No brilho discreto da forma erguida Ensinas o rumo da percepção. (estrofe 5) Sem tua presença a mente vacila, Confunde caminhos, pessoas e sinais, Mas quando teu brilho o horizonte perfila, Cada figura revela seus ais. (estrofe 6) És como pincel na tela da terra, Que traça no mundo seu fino perfil, E aquilo que antes vivia na guerra Do caos indistinto se torna sutil. (estrofe 7) Assim se distingue a vida do nada, O gesto sincero da falsa expressão, Pois a luz desenha na mente acordada Os limites claros da percepção. (refrão) Ó luz que define o traçado da vida, Que marca limites do ser e do chão, No brilho discreto da forma erguida Ensinas o rumo da percepção. (estrofe 8) Também na alma humana o mesmo acontece, Quando um clarão interior vem surgir, A verdade antiga então reaparece E os rostos da vida voltam a existir. (estrofe 9) Aquilo que antes parecia confuso Se torna figura de fácil leitura, E o olhar aprende, sem peso ou abuso, A ver cada parte em sua estrutura. (estrofe 10) Pois onde há luz o sentido floresce, O mundo se mostra com nova razão, E a forma da vida, que antes se esquece, Retoma o contorno da compreensão. (refrão) Ó luz que define o traçado da vida, Que marca limites do ser e do chão, No brilho discreto da forma erguida Ensinas o rumo da percepção.

