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O Ritual de Abril (Anos de Saudade)

V5

[Lyrics] [Intro] (Viola Caipira dedilhada - Compasso marcado de relógio/tempo) [Verse 1] Beatriz morreu em vinte e nove, a saudade começou Desde então o trinta de abril, sagrado se tornou Eu chegava sete e quinze, vinte minutos ficava Era um ato de cortesia, que a alma consolava Cortava as folhas dos livros, presente que eu levava Pra não ver que ninguém lia, o que eu presenteava [Verse 2] Mas o tempo foi passando, e o costume criou raiz Em trinta e três um dilúvio, o céu se fez infeliz A chuva me deu a chance, de ficar para o jantar Não perdi a ocasião, de naquele mundo entrar Em trinta e quatro voltei, com alfajor na mão Doce de Santa Fé... pra adoçar a solidão [Chorus] (Emotional and flowing) Aniversários tristes, inutilmente eróticos Ouvindo o primo Carlos, com seus modos exóticos Entre a memória dela e a voz dele a soar Eu ia ganhando espaço... na casa da Rua Garay [Bridge] (Viola solo - Reflective) [Verse 3] (Spoken/Sung style - Listing the photos) Enquanto ele falava, meus olhos iam passeando Pelos retratos na sala, a vida dela montando Vi Beatriz de máscara, no carnaval de vinte e um Vi Beatriz comungando, num tempo mais incomum Vi no dia do casório, vi depois do desquite Sorrindo com a mão no queixo... beleza sem limite [Verse 4] E o Carlos Argentino? Rosado e gesticulador Trabalha na biblioteca, num cargo inferior Tem aquele "esse" italiano, a mão fina a balançar Atividade mental contínua... sem nada pra aproveitar Sua mente é apaixonada, versátil, mas eu digo: É tudo insignificante, o pensar desse meu amigo [Outro] Assim os anos correram, nessa estranha devoção Aturando o primo chato... Pra ter a Beatriz... no meu coração. (Fade out)