A professia (A cruz e a estrela) Quando eu nasci, Dizem, Uma estrela me indicou, E disseram, Este menino vai ser feliz. Fui criado, Educado, mimado… E cresci. Lutar, então, Eu quis. Lutei, Mas milagre, Eu nunca fiz. Um dia escutei um conselho: “Se cuida meu rapaz, Sua estrela ainda brilha, Mas começam a te chamar, De Jesus”. Se conselho fosse bom, Não se dava, Vendia. É o que se diz. Talvez, por isto, Não o segui. Continuei a querer, Transformar pão em bagre, Vinho em vinagre. Amei, Madalenas, Tive muitas, E de nenhuma me arrependi. Num dia, Que nunca esqueci, Pregaram minhas mãos, Mas eu não desisti. Aí tentei reformar as leis, A fazer cego enxergar, E falador a calar. Depois foram meus pés, Mas meu Deus, Que coisa louca, Ainda restava minha boca. Com ela insisti, Falei, gritei, E sorri. Não, ninguém me traiu, Mas um pouco mais, E a profecia se cumpriu, Fui crucificado, Vivo, Na cruz, Que eu mesmo construi