[Verso 1] Não escreve com tinta, escreve com sangue Com memória de avó, com saudade de mãe Cada verso é sopro, é açoite, é afeto Cada linha um grito no silêncio discreto Veio das páginas não lidas do tempo Mulher preta, palavra no vento Na favela plantou sua raiz E com livros ergueu cicatriz [Pré-Refrão] Era professora e era semente Cultivava saber na mente da gente Entre livros e lutas, fez morada Onde o saber também é espada [Refrão] Conceição, tua voz ecoa Nos becos, nas salas, nas folhas que voam Com a caneta desenhou o mundo Fez do cotidiano um verso profundo Ela é voz, é chão, é razão É palavra viva da multidão Fez da dor, poesia concreta Conceição, nossa poeta [Verso 2] Entre ensaios, romances e contos Fez da escrita lugar de encontros Com mulheres, com lutas, com cor Com a história que o tempo apagou Não pediu licença pra existir Fez da linguagem um novo porvir É pós-moderna, mas ancestral Com escrevivência visceral [Ponte – spoken word lento e ritmado] “Meus textos não nascem só da pena, Mas da pele, do tempo, da cena Do que vi, do que fui, do que sou Da menina que o mundo não olhou” [Refrão Final] Conceição, tua voz ecoa Nos becos, nas salas, nas folhas que voam Com a caneta desenhou o mundo Fez do cotidiano um verso profundo Ela é voz, é chão, é razão É palavra viva da multidão Fez da dor, poesia concreta Conceição, nossa poeta [Final – em coro suave] Conceição… Nossa poeta… Escrevivência é flor que resiste Na palavra que nunca desiste


