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PAPEL EM BRANCO DE DEUS

Estrofe 1 Fui página vazia nas mãos eternas, Sem tinta, sem palavra ou oração. Mas Deus, com Suas penas tão fraternas, Escreveu versos santos no coração. Estrofe 2 A infância era alvura sem saber, Nem razão, nem doutrina organizada. Só sede de um amor que fez crescer O cântico da vida consagrada. Estrofe 3 Não conhecia o verbo "discernir", Mas já sentia Deus dentro do abraço. E cada gesto vinha traduzir O céu soprando paz em cada espaço. REFRÃO Te louvo, ó Deus, que escreves com silêncio, Que usas o toque simples do viver. Te agradeço o cuidado tão imenso De me ensinar sem me fazer entender. Estrofe 4 As mãos maternas foram teu tinteiro, Os cânticos da igreja, tua rima. O chão da infância, o campo verdadeiro Onde o amor se semeia e se sublima. Estrofe 5 Jamais li um tratado ou um concílio, Mas via em cada gesto a tua lei. O bem, o pão, o nome no batismo: Um evangelho vivo que abracei. Estrofe 6 Por trás dos véus da infância tão serena, Eras o autor secreto da esperança. Cada “Jesus” soava como hiena Ao medo, dando luz à minha dança. REFRÃO Te louvo, ó Deus, que escreves com silêncio, Que usas o toque simples do viver. Te agradeço o cuidado tão imenso De me ensinar sem me fazer entender. Estrofe 7 Agora sei que fui teu manuscrito, Que foste Tu quem me formaste o tom. A infância foi pergaminho bendito, Com versos teus antes que eu fosse dom. Estrofe 8 Hoje, leio em mim a tua caligrafia: Ternura, fé, louvor e compaixão. E compreendo — embora em agonia — Que amor é o teu eterno sermão. PONTE Bendigo cada voz que me formou, Cada canção, presença e professor. Foste em cada um quem me ensinou Que aprender é gesto do teu amor. REFRÃO Te louvo, ó Deus, que escreves com silêncio, Que usas o toque simples do viver. Te agradeço o cuidado tão imenso De me ensinar sem me fazer entender. REFRÃO FINAL Feliz sou por saber que és puro amor, Muito além do que posso compreender. Mesmo cego pelo meu próprio ardor, Sei que és amor — e basta Te conhecer.