
[Intro] [Instrumental long intro] [Scratching] [Spoken word] [voz sussurrando] É nóis! Nasci num tempo de silêncio. Eles que embaralhavam as cartas ... [Verso 1] Nasci em sessenta e quatro Ano em que o país prendeu a própria voz Tá tá tá tá tá [tiros e bombas] Ditadura Mi-li-tar Brasileira CARALHÔÔÔ!!! Cresci onde pensar era risco e perguntar virava nó Casa fechada, assunto proibido escola treinando obediência rádio maquiando mentira chamando censura de prudência Aprendi cedo a ler o clima antes de ler o livro a engolir palavra pra não virar alvo vivo Mas quem vive no escuro desenvolve outro tipo de visão eu pensava por dentro enquanto o mundo pedia submissão [Pré-refrão] [spoken, crescendo] Tentaram me ensinar a baixar a cabeçaá mas esqueceram que coluna também pensaá [Refrão] Eu não sou o silêncio que me deram eu sou a voz que sobrou não me calei, eu atravessei e aqui estou Eu não sou o medo que herdaram eu sou consciência em construção my social name is Gil e liberdade é meu estado de ser, não exceção É mano ... Eu não sou o silêncio que me deram eu sou a voz que sobrou não me calei, eu atravessei e aqui estou Eu não sou o medo que herdaram eu sou consciência em construção my social name is Gil e liberdade é meu estado de ser, não exceção [Verso 2] Trabalhei cedo porque o sistema não espera dei meu tempo, dei meu corpo dei minha força pra engrenagem inteira Aposentei cedo também porque o cansaço cobra juros mas a alma não aceita contrato nem se aposenta do futuro Hoje eu tenho nétim Mína, Nanú, Lalau e Joaquim olhando nos meus olhos dizendo: e aí voínho? pedem verdade sem embrulho Eles não podem herdar o trauma embalado numa bandeira querem saber se é possível viver sem mordaça inteira [Ponte] [Spoken word – pausa dramática] E eu digo pra eles com o que eu sou não com o que eu falo Nem todo sobrevivente vive mas eu… eu me tornei [Verso 3] Meu nome mudou não pra esconder quem fui mas pra juntar os pedaços do que resistiu Gil não é fuga Gil é síntese é passado olhando o presente sem pedir permissão pra existir Não sou herói não sou vítima sou memória que anda sou voz que não grita mas sustenta [Refrão] [volta maior, mais aberto] Eu não sou o silêncio que me deram eu sou a voz que sobrou não me calei, eu atravessei e aqui estou Eu não sou o medo que herdaram eu sou consciência em construção my social name is Gil e liberdade é meu estado de ser, não exceção [Outro] [Spoken, quase ritual] Se um dia o medo governou hoje ele não manda em mim Eu não peço licença eu não explico demais eu existo Eu sou Gil. E isso basta. É mano, o bagúio é doido! E nóis também!!! [Scratching] [Instrumental long outro] [End]

