
Estrofe 1 Assumi meu altar sem mediadores, Sem as vozes que julgavam minha trilha. Rompi com dogmas, templos, ditadores, E a alma fez-se luz, ainda que em centelha. Estrofe 2 Deixei de lado os filtros da infância, A fé imposta em tom de obediência. Busquei em mim a viva consonância Entre o mistério e a consciência. Estrofe 3 Já não bastava crer porque mandaram, Nem repetir o que me recitaram. De dentro as águas novas me brotaram — As que jamais por homens se calaram. REFRÃO Senhor que agiste onde ninguém guiava, Em cada dúvida, foste direção. Teu sopro em mim, silencioso, moldava O meu crescer em santa solidão. Estrofe 4 Fui chão de mim, nasci da própria escolha, Como Isaque sem pai sobre o altar. Decidir é carregar a cruz sem folha De regras prontas para aliviar. Estrofe 5 Entendi que a fé que mais Te exalta É a que ousa crer mesmo sem certeza. Pois quem decide a alma, e não a falta, Conhece o Deus da mais profunda mesa. Estrofe 6 E cada “não” que disse à velha voz Foi um “sim” ao Cristo mais real. Pois só quem anda livre, mesmo a sós, Descobre o que é seguir o essencial. REFRÃO Senhor que agiste onde ninguém guiava, Em cada dúvida, foste direção. Teu sopro em mim, silencioso, moldava O meu crescer em santa solidão. Estrofe 7 Não desprezei quem antes me formou, Mas dei à fé meu nome e minha história. Como Jacó que em Peniel lutou, Fiz da batalha a minha trajetória. Estrofe 8 Hoje sou teu, não por tradição, Mas porque ouço tua voz em minha. E nessa união de dor e redenção, Sou o discípulo da própria vinha. PONTE Gratidão aos que me deram os alicerces, Mesmo sem saber que me prendiam... Foram mestres nos meus próprios reveses, Pois suas molduras em mim se diluíam. REFRÃO Senhor que agiste onde ninguém guiava, Em cada dúvida, foste direção. Teu sopro em mim, silencioso, moldava O meu crescer em santa solidão. REFRÃO FINAL E sou feliz, pois sei que o Teu amor É mais que regra, rito ou parecer. É sol que nasce em cada interior, Mesmo onde a fé mal sabe o que é crer.

