(estrofe 1) Criança é herança divina, tesouro do coração, Presente de Deus ao homem, sinal de pura missão. Quem acolhe um pequenino, recebe o próprio Senhor, Pois neles mora o mistério do Reino em seu fulgor. (estrofe 2) Jesus tomou nos braços, os filhos da multidão, E disse: “dos tais é o Reino”, com santa compaixão. Repreendeu os discípulos, que tentaram afastar, Os que vinham com pureza, somente pra o abraçar. (estrofe 3) Mas muitos que dizem segui-Lo, com templos e poder, Esquecem os pequeninos, deixados a sofrer. Exploram sua inocência, negando pão e escola, Enquanto em nome de Cristo, o luxo ainda os consola. (refrão) Canta, ó alma, pela infância esquecida, Clama justiça, ternura e guarida. Pois quem despreza um coração tão pequeno, Não conhece o Cristo terno e sereno. (estrofe 4) Os salmos já proclamavam: filhos são bênção sagrada, Como flechas nas aljavas, esperança renovada. Mas a ganância do mundo troca o riso por labor, E apaga a infância pura, nas fábricas sem cor. (estrofe 5) Cristo plantou no tempo a lição da ternura, Que o Reino só floresce na alma simples e pura. Mas a fé institucional, cega pela tradição, Ergue muros e altares, e esquece o coração. (refrão) Canta, ó alma, pela infância esquecida, Clama justiça, ternura e guarida. Pois quem despreza um coração tão pequeno, Não conhece o Cristo terno e sereno. (estrofe 6) As crianças ainda clamam, nos becos, nas avenidas, Por pão, por afeto, e por vidas não perdidas. Enquanto o Cristo eterno, de olhos cheios de amor, Sussurra aos que O seguem: cuidai dos meus com fervor. (estrofe 7) Cantar a Bíblia é lembrar do toque do Salvador, Que viu grandeza eterna no olhar de um sonhador. Quem serve aos pequeninos, serve ao próprio Deus, E abre o Reino santo aos passos seus. (refrão) Canta, ó alma, pela infância esquecida, Clama justiça, ternura e guarida. Pois quem despreza um coração tão pequeno, Não conhece o Cristo terno e sereno.