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🇧🇷 BRAZILIAN CORDEL - Leandro Gomes de Barros

[Intro] [Instrumental long intro] [Accordion solo] [Verse 1] [Spoken word] [Pt-br] Sêca as terras, as folhas caem, Morre o gado sai o povo, O vento varre a campina, Rebenta a seca de novo; Cinco, seis mil emigrantes Flagelados retirantes Vagam mendigando o pão, Acabam-se os animais Ficando limpo os currais Onde houve a criação. Não se vê uma folha verde Em todo aquele sertão Não há um ente d’aqueles Que mostre satisfação Os touros que nas fazendas Entravam em lutas tremendas, Hoje nem vão mais o campo É um sítio de amarguras Nem mais nas noites escuras Lampeja um só pirilampo. Foi a fome negra e crua Nódoa preta da história Que trouxe-lhe o ultimatum De uma vida provisória Foi o decreto terrível Que a grande pena invisível Com energia e ciência Autorizou que a fome Mandasse riscar meu nome Do livro da existência. Hoje nem os pássaros cantam Nas horas do arrebol O juriti não suspira Depois que se põe o sol Tudo ali hoje é tristeza A própria cobra se pesa De tantos que ali padecem Os camaradas antigos Passaem pelos seus amigos Fingem que não os conhecem. Santo Deus! Quantas misérias Contaminam nossa terra! No Brasil ataca a seca Na Europa assola a guerra Trabalha para o nosso bem O nosso em vez de nos dar Manda logo nos tomar O pouco que ainda se tem. Alguém no Rio de Janeiro Deu dinheiro e remeteu Porém não sei o que houve Que cá não apareceu O dinheiro é tão sabido Que quis ficar escondido Nos cofres dos potentados Ignora-se esse meio Eu penso que ele achou feio Os bolsos dos flagelados. O governo federal Querendo remia o Norte Porém cresceu o imposto Foi mesmo que dar-lhe a morte Um mete o facão e rola-o O Estado aqui esfola-o Vai tudo dessa maneira O município acha os troços Ajunta o resto dos ossos Manda vendê-los na feira. [Accordion solo] [Instrumental long outro] [Outro] [End]