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O Prólogo

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V5

[Intro] [Verse 1] O telefone berrou num domingo parado Era o Carlos Argentino, todo empolgado Chamou pro salão-bar que foi inaugurado Dois sócios modernos, dinheiro sobrado! Bebemos um leite, ali, lado a lado Mas o gole desceu... meio atravessado [Verse 2] (Carlos speaks with confidence, ignoring Borges) Ele abriu a pasta com ar de importância Leu quatro estrofes com muita arrogância Disse: "Borges, escuta... que exuberância! Esse meu poema vence qualquer distância! Mas pra ter o sucesso e a ressonância... Preciso de um prólogo de alta substância!" [Verse 3] (Borges' internal fear turns into shock) "Quero um nome de peso, de brilho e de glória Alguém que já tenha lugar na história..." Eu gelei na cadeira, puxei a memória Pensei: "Lá vem a missão vexatória!" Já fui preparando a minha escapatória: "Vou dizer que não sirvo, que a honra é ilusória..." O "NÃO" tava pronto na minha oratória! [Chorus] (The Twist - Carlos praises Alvaro first, then assigns Borges as spokesperson) (Rhythm gets punchier, rhymes are sharp) Mas o Carlos seguiu, sem notar meu preparo E soltou a bomba, num tom muito claro: "Meu livro exige um prestígio mais caro! O Álvaro Lafinur! Um talento tão raro! Seja o meu porta-voz... pra eu ter esse amparo! Fale com ele... sem nenhum reparo!" [Bridge] Eu suando frio pra não aceitar E ele nem pensou em me convidar! Disse que eu sirvo apenas de ponte Pra ele beber em outra fonte! O Álvaro é o ouro da mina... E eu sou a poeira da esquina! [Verse 4] Engoli o orgulho e o leite com nata Disse: "Falo com ele, na próxima data Num jantar do Clube..." (mentira barata!) Um jantar que não houve, nem hora exata Ele riu, confiante, ajeitando a gravata Saí do salão com a alma ingrata! [Verse 5] (Borges weighs his options in the street) Dobrei a esquina, pesando a questão Tinha duas vias na minha intenção: Falar com o Álvaro, dar a descrição... Que Carlos Argentino e a obra são a perdição! Ou não fazer nada... pura inação. A minha preguiça tomou a decisão! [Outro] O telefone tocou a semana inteira... era Carlos Argentino cobrando a missão mensageira. Eu não atendi. Deixei o Daneri e a sua cegueira... Comendo poeira.