
(estrofe 1) Láquis caiu diante do avanço de Israel, E a narrativa registrou sua destruição; A vitória foi contada como sinal fiel, De que Deus concedera aquela ocupação. (estrofe 2) Outra vez a fórmula volta a declarar Que a vitória recebida vinha do Senhor; E a repetição parecia confirmar Que o céu aprovava o caminho vencedor. (estrofe 3) Quando muitas batalhas terminam em triunfo, A memória pode enxergar um sinal celestial; O vencedor relê seu próprio feito como trunfo, E transforma sua leitura em decreto divinal. (estrofe 4) Assim, a guerra narrada ganha outra dimensão: Não basta dizer que Israel venceu o combate; A vitória passa a receber interpretação, Como se Deus tivesse escolhido aquele ataque. (refrão) A DESTRUIÇÃO DE LÁQUIS NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, Nem transforma conquista humana em decreto do Senhor; O Jesus que amou os inimigos, carregou a cruz, Não entrega cidades à espada em nome do amor. (estrofe 5) Há diferença entre guardar uma lembrança De guerras que povos antigos tiveram de enfrentar, E dizer que Deus assinou cada matança Só porque os vencedores conseguiram triunfar. (estrofe 6) Um povo pode narrar sua própria caminhada Enxergando providência em tudo que ocorreu; Mas sua interpretação, depois de registrada, Não prova que cada ordem veio diretamente de Deus. (estrofe 7) É possível honrar a história sem canonizar Toda explicação que o vencedor formulou; O acontecimento podemos investigar, Mas a voz atribuída a Deus precisa passar por Jesus. (refrão) A DESTRUIÇÃO DE LÁQUIS NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, Nem transforma conquista humana em decreto do Senhor; O Jesus que amou os inimigos, carregou a cruz, Não entrega cidades à espada em nome do amor. (estrofe 8) Jesus não ensinou seus discípulos a procurar Cidades inimigas para então eliminá-las; Ensinou o amor capaz de se aproximar Até daqueles que a sociedade queria afastá-las. (estrofe 9) No Evangelho, a grandeza não está em dominar, Nem em fazer do adversário um troféu de poder; Está em servir, perdoar, acolher e restaurar, E revelar no inimigo alguém também digno de viver. (estrofe 10) Por isso, Láquis permanece como interrogação: Pode a vitória de um povo definir quem Deus é? Se Jesus é a revelação decisiva do Pai e do coração, A guerra humana não pode ocupar o lugar da fé. (ponte) Quanto falhei defendendo que Moisés conhecera o mesmo Deus de Jesus, Sem perceber que vitória não é prova de revelação celestial; Confundi a certeza religiosa de um povo com a voz daquele que é Luz, E fiz da interpretação dos vencedores uma palavra divina e universal. (refrão) A DESTRUIÇÃO DE LÁQUIS NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, A memória da guerra não é a Palavra Viva do Senhor; Se a conquista foi humana, não a revistamos de uma falsa luz: Jesus permanece o critério supremo do verdadeiro amor. (refrão final) Agora eu descanso em Jesus, Deus de perfeito amor, Nele reconheço o Pai que jamais se contradiz; Nenhuma guerra muda o rosto do meu Senhor, E com todos nós seu amor permanece sempre assim.

