
LETRA (correção pedida: “Emanuel” → “Deus connosco”) [INTRO · falado, muito baixo] Hoje não peço ao mundo que pare. Só peço que fique. [VERSO 1] No escuro, uma luz vermelha ensinou-me que há portas que não são portas — são coragem. E eu, que venho cheio de ruído, aprendi a ouvir o que não se vê. A água a correr escreve sem tinta, o vento risca o prédio como um arco. E no meio da tempestade houve um lugar com calma dentro. [PRÉ-REFRÃO] Se eu fechar os olhos, eu sei: há mãos que não deixam cair. [REFRÃO] Deus connosco, Teresa — fiquem. Fiquem como a clareira fica, quando o sol atravessa as árvores sem pedir licença ao inverno. Eu não vos prometo futuro perfeito, prometo presença — aqui. Três nomes, uma linha de luz, um farol por dentro, a dizer: “sim”. [VERSO 2] Tosse pequena, noite longa — e alguém a respirar ao lado, como um abrigo simples num corpo cansado de lutar. Há pedras que não se atiram: guardam-se. Há pedras que se enterram para durar mais do que nós. E o que nós fizemos nesse chão não é espetáculo — é pacto. Uma letra antiga na casca da árvore a pedir ao tempo: “protege”. [PRÉ-REFRÃO 2] Se eu me perder no excesso, chamem-me pelo essencial. [REFRÃO] Deus connosco, Teresa — fiquem. Fiquem como a clareira fica, quando o sol atravessa as árvores sem pedir licença ao inverno. Eu não vos prometo futuro perfeito, prometo presença — aqui. Três nomes, uma linha de luz, um farol por dentro, a dizer: “sim”. [PONTE · quase sussurrado] Se um dia o mundo partir-se em notícias, e a fé parecer só cansaço, lembrem-se disto: nós fomos reais. Nós fomos pão do último dia, e riso sem defesa, e um “cuidado com os obstáculos” que, afinal, era amor. Nós fomos vidro, sinal, silêncio — e uma promessa sem barulho: não deixar morrer a beleza por falta de tempo. [ÚLTIMO REFRÃO · mais aberto] Deus connosco, Teresa — fiquem. Fiquem como a clareira fica, quando o sol atravessa as árvores e faz de nós casa, por instantes. Eu não vos prometo futuro perfeito, prometo presença — aqui. Três nomes, uma linha de luz, um farol por dentro, a dizer: “sim”. [OUTRO · falado] E se tudo passar depressa… que ao menos isto fique.

