
A manhã entrou pela janela, devagar, sem pedir licença. Na rua, alguém varria a calçada, e o bairro acordava em silêncio. Você sorriu atrás da cortina, com os cabelos soltos ao vento. Eu não sabia o seu nome, mas guardei aquele momento. Talvez amanhã seja outro dia, talvez o sol chegue diferente. Mas há momentos que ficam na vida sem precisar durar para sempre. Talvez amanhã você vá embora, talvez eu siga o meu caminho. Mas hoje a manhã abriu a janela e deixou o mundo mais bonito. Descemos juntos pela avenida, sem saber para onde ir. Falamos de coisas pequenas, das coisas que fazem a gente sorrir. Um vendedor chamou na esquina, um rádio tocou dentro de um bar. E a cidade, com seus ruídos, parecia querer nos acompanhar. Talvez amanhã seja outro dia, talvez o sol chegue diferente. Mas há momentos que ficam na vida sem precisar durar para sempre. Talvez amanhã você vá embora, talvez eu siga o meu caminho. Mas hoje a manhã abriu a janela e deixou o mundo mais bonito. Não fizemos promessas, não falamos sobre depois. Há encontros que são completos quando acontecem entre dois. Talvez amanhã seja outro dia, talvez a chuva cubra a cidade. Mas há momentos que ficam na vida como uma pequena claridade. Se amanhã você seguir seu caminho, eu seguirei também o meu. Mas quando eu lembrar daquela manhã, vou lembrar que você apareceu. A manhã fechou a janela, a cidade continuou a andar. E eu levei comigo o instante que não precisava durar.

