
(estrofe 1) Diziam servir ao Senhor Salvador, Mas cruzaram mares com fúria e espada. Em nome da fé, sem nenhum pudor, Deixaram a terra santa ensanguentada. (estrofe 2) Dos Andes à selva do Maranhão, Com bênção e Bíblia na mão fechada, A bênção virou dominação, E a cruz, bandeira de guerra selada. (estrofe 3) Índios morreram sem nome ou razão, Negros tombaram sob o chicote cruel, E a Igreja, em silêncio ou aprovação, Negou o Cristo do amor fiel. (refrão) Se Jesus chorou por cada ferido, Por que seu nome foi posto à pilhagem? A cruz não foi feita pra ser abrigo De ódio, massacre e colonagem. (estrofe 4) No altar se calava o clamor dos oprimidos, Nas missas não cabia a voz da aldeia. E missionários, por dogmas vendidos, Negaram a vida em nome da ceia. (estrofe 5) Hoje o silêncio ainda é sepulcro, Quando o genocídio segue presente. A fé que não chora é fé de insulto, Que não segue o Cristo, mas segue a corrente. (refrão) Se Jesus chorou por cada ferido, Por que seu nome foi posto à pilhagem? A cruz não foi feita pra ser abrigo De ódio, massacre e colonagem. (estrofe 6) Há vozes que ainda resistem e clamam, Indígenas que lutam com dignidade. Mas muitos cristãos ainda se calam, Ignoram a cruz da ancestralidade. (estrofe 7) Contar o cristianismo é confessar, Não como quem julga, mas se arrepende. Pois quem se cala frente ao matar, Não ama a justiça que Cristo defende. (refrão) Se Jesus chorou por cada ferido, Por que seu nome foi posto à pilhagem? A cruz não foi feita pra ser abrigo De ódio, massacre e colonagem.

