
(estrofe 1) No silêncio do deserto ouviu um fogo falar, e entre pedras e vento começou a caminhar; o mistério brilhou forte na sarça do caminho, mas ainda era neblina no olhar do peregrino. (estrofe 2) Carregava a memória de um povo escravizado, o peso das correntes e o sonho libertado; assim buscou entender o Deus que o chamava, com as lentes da história que a mente carregava. (estrofe 3) Como quem vê montanhas por trás da cerração, percebe contornos, mas não toda a amplidão; assim o velho profeta, guiando multidões, discernia o Eterno entre antigas tradições. (estrofe 4) Recebeu leis e caminhos no monte da alvorada, como quem traduz o céu para a estrada cansada; mas toda tradução traz marcas da visão, como rio que se adapta às curvas do chão. (refrão) Ninguém vê o infinito sem véu ou sem limite, cada tempo traduz o sopro que permite; Moisés viu a chama que o céu revelou, mas o mistério maior ainda caminhou. (estrofe 5) Entre tendas e desertos cresceu a revelação, como estrela surgindo na noite da nação; o povo aprendia aos poucos o rosto do Senhor, entre medos antigos e lampejos de amor. (estrofe 6) Muitos ecos da época soavam em sua voz, como ecos de montanhas repetindo entre nós; a justiça era dura, moldada pelo chão, como pedra talhada pela mão da tradição. (estrofe 7) Mas mesmo nesses limites, no tempo e na cultura, havia sementes de uma verdade futura; pois Deus conduz a história com paciente luz, como aurora que cresce e lentamente reluz. (refrão) Ninguém vê o infinito sem véu ou sem limite, cada tempo traduz o sopro que permite; Moisés viu a chama que o céu revelou, mas o mistério maior ainda caminhou. (estrofe 8) Outros olhos depois olharam o mesmo céu, procurando entender o que antes se escondeu; cada geração lê o divino clarão, com perguntas nascidas no próprio coração. (estrofe 9) E o que era semente no solo antigo do ser, tornou-se árvore viva no tempo de florescer; a revelação cresce como rio em expansão, alargando margens na história da criação. (estrofe 10) Assim honramos Moisés, peregrino da luz, que abriu no deserto caminhos para os seus; viu muito do mistério que o céu revelou, mas o Deus infinito jamais se esgotou. (refrão) Ninguém vê o infinito sem véu ou sem limite, cada tempo traduz o sopro que permite; Moisés viu a chama que o céu revelou, mas o mistério maior ainda caminhou.

